NOVA YORK E BENGALURU (ÍNDIA) — A Berkshire Hathaway terá Howard Buffett, filho mais velho de Warren Buffett, como presidente não executivo do conselho de administração. Aos 71 anos, ele ficará responsável por preservar a cultura e os valores do conglomerado, em uma função sem atuação na gestão diária da companhia.
A mudança foi anunciada nesta sexta-feira (18), após Warren Buffett, de 96 anos, deixar a presidência do conselho. Ele também não será conselheiro regular de Greg Abel, executivo que assumiu como CEO em janeiro. Warren Buffett comandava a Berkshire desde 1965.
A transição ocorre após anos de preparação. Abel entrou na empresa em 2000, quando a Berkshire comprou a antiga MidAmerican Energy, e passou a fazer parte da liderança em 2018. Howard Buffett é diretor desde 1993.
Em uma carta aos acionistas, Warren Buffett afirmou que Abel superou suas expectativas “altíssimas”. Sobre o filho, escreveu: “Pensem em Howard como uma apólice de seguro que os acionistas possuem e esperam nunca precisar resgatar”.
A Berkshire tem valor aproximado de US$ 1,1 trilhão (R$ 5,6 tri). Seu portfólio inclui a ferrovia BNSF, a seguradora de automóveis Geico e empresas dos setores de energia, indústria e varejo. A companhia também possui participações em American Express, Apple e Coca-Cola.
A posição de Howard Buffett deverá funcionar como uma referência para a continuidade dos princípios associados ao pai. Em janeiro de 2025, ele descreveu sua visão sobre a cultura da empresa como uma combinação de simplicidade, honestidade, respeito aos gestores e acionistas e comunicação rápida de más notícias.
Experiência e sucessão
Howard Buffett já foi agricultor, xerife e integrante de conselhos de administração, mas nunca comandou uma empresa de capital aberto. Cathy Seifert, analista da CFRA Research, apontou a ausência de experiência em gestão como uma lacuna no plano sucessório, porque ele não participou das operações cotidianas.
O conselho da Berkshire reúne diretores com experiência em gestão, que podem atuar como orientadores. Para Brian Mulberry, estrategista-chefe de mercado da Zacks Investment Management, Abel e Howard Buffett conhecem há tempo suficiente o ambiente da companhia para reduzir essa diferença, embora ela não desapareça completamente.
Abel, de 64 anos, manteve em grande parte as estratégias de Warren Buffett desde que se tornou CEO. O caixa da Berkshire era de US$ 364,7 bilhões (R$ 1,8 tri) em 30 de junho, valor quase recorde. Esse montante dá ao executivo margem para comprar empresas e ações, recomprar papéis da própria companhia e possivelmente criar um dividendo.
Warren Buffett ainda controla mais de 13% das ações da Berkshire e cerca de 30% do poder de voto. As porcentagens devem diminuir à medida que os papéis sejam distribuídos a fundações supervisionadas por seus filhos.
Para investidores e analistas ouvidos sobre a mudança, a presença prolongada de Abel e Howard Buffett tende a oferecer continuidade em uma empresa de aproximadamente US$ 1,1 trilhão. Michael Withers, professor da Universidade de Notre Dame, resumiu o desafio como preservar o legado de Warren Buffett sem impedir a adaptação da Berkshire a um mercado diferente.


