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Economia

Investigação sobre Digimais inclui fundo com cártulas do extinto Besc

Fundo Betel concentrou R$ 271,4 milhões em certificados do Besc; banco diz que deixou de ter o ativo em outubro de 2025.

Investigação sobre Digimais inclui fundo com cártulas do extinto Besc
Foto: Alan Santos/Divulgação PR

A Polícia Federal investiga se o Digimais manipulou relatórios financeiros para ocultar sua situação e aparentar solidez diante dos órgãos de controle. O banco divulgou, nesta quinta-feira (17), balanço que registrou prejuízo de R$ 581,4 milhões no primeiro semestre deste ano.

No centro de uma das operações está o Fundo Betel, que concentrou R$ 271,4 milhões em cártulas do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). O valor correspondia a 82% do patrimônio líquido do Digimais, de R$ 331 milhões, conforme o último balanço citado.

As cártulas são certificados físicos de ações do Besc. O banco catarinense foi comprado pelo Banco do Brasil em 2008. Na operação, os acionistas receberam ações eletrônicas do Banco do Brasil, mas não precisaram entregar os documentos. Desde então, os papéis passaram a ser utilizados em operações fraudulentas como se ainda representassem ações do Besc.

Divergência sobre o fundo

Dados da Comissão de Valores Mobiliários enviados à CPI do Crime Organizado do Senado indicavam que o Digimais era, até janeiro deste ano, o único cotista do Betel. Todo o dinheiro depositado no fundo estava aplicado nas cártulas. O investimento aparece nas informações do fundo de julho de 2025 e permanece no registro mais recente, de agosto deste ano.

O Digimais afirmou que o Betel não integra seu portfólio desde outubro de 2025. A declaração diverge dos dados encaminhados pela CVM. Questionado novamente, o banco manteve a mesma resposta e não informou quanto teria recebido pelas cotas, caso elas tenham sido vendidas.

O fundo foi criado em 24 de abril de 2025, com o nome de PNG International Bank. Em 26 de junho, realizou uma emissão de cotas adquiridas integralmente pelo Digimais e passou a se chamar Betel.

As cártulas foram compradas dos fundos SDG II e BB Claim. Os dois pertencem a uma cadeia de fundos cujos proprietários finais são os filhos de João Carlos Mansur, dono da Reag, gestora responsável pela administração dos fundos do Digimais e do Banco Master. A Reag foi liquidada pelo Banco Central em janeiro deste ano sob acusação de violar normas do sistema financeiro.

Apurações e registros contábeis

A investigação da Polícia Federal aponta que o Digimais teria usado estratégias para inflar o patrimônio e captar mais recursos no mercado. Entre os crimes sob apuração estão gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em relatórios e realização de empréstimos e financiamentos proibidos aos bancos para evitar manipulações. A compra de precatórios também é um dos focos.

O uso de cártulas ainda não havia aparecido nas apurações sobre o Digimais, embora investigadores já tivessem identificado métodos semelhantes aos empregados pelo Banco Master para melhorar artificialmente o balanço. No caso do Master, fundos com papéis do Besc eram usados como se os títulos valessem milhões, inclusive como garantia para empréstimos.

O SDG II foi utilizado pelo Master para esconder R$ 5,4 bilhões em empréstimos. No caso investigado envolvendo o banco, os valores declarados em cártulas superavam R$ 850 milhões.

As operações de fundos da Reag com papéis do Besc são investigadas pela CVM desde 2022. A apuração envolve possíveis irregularidades em operações realizadas por cinco fundos administrados pela gestora em 2020.

O Betel não aparece no balanço do Digimais nem na relação do conglomerado prudencial da instituição no Banco Central. O banco é controlado pelo grupo Record, ligado ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.

O Tesouro Nacional afirma, em cartilha sobre fraudes divulgada em 2025, que as cártulas do Besc têm atualmente apenas valor histórico: “Nenhum ex-acionista do Besc ficou sem ter a opção de ser alçado à condição de acionista do Banco do Brasil”.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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