SÃO PAULO — A aviação de negócios ganhou novas alternativas para clientes que desejam usar aeronaves executivas sem necessariamente comprar um avião ou uma participação compartilhada. Entre os serviços oferecidos estão o cartão de horas, o gerenciamento de aeronaves e linhas de financiamento em dólar.
A modalidade de cartão de horas permite adquirir antecipadamente um pacote de operação de táxi aéreo. Na Amaro Aviation, os planos têm 100, 50 ou 30 horas por ano. De acordo com João Mellão, CEO da empresa, o produto atende pessoas acostumadas a voar de jato executivo por até 100 horas anuais.
Cada hora em um jato executivo custa US$ 5.500, mais de R$ 28 mil. No caso de um turboélice, o valor é de US$ 2.750 por hora, cerca de R$ 14,1 mil. O modelo evita que o cliente precise adquirir uma aeronave ou uma cota de jato compartilhado.
Administração das aeronaves
Mellão também afirma que aumentou a procura pelo gerenciamento de aeronaves. Nesse formato, a empresa de táxi aéreo assume as operações do avião e administra itens como taxas, documentos, seguros, manutenção, tripulação e fretamento para terceiros.
“Isso vem crescendo no Brasil”, diz Mellão, ao comparar o mercado brasileiro com outros países em que proprietários recorrem a empresas especializadas para administrar aeronaves de tamanho médio e helicópteros.
A Amaro Aviation iniciou as atividades em janeiro de 2021 e mantém uma frota de dez aeronaves. A empresa foi criada por Marcos Amaro e começou atuando com propriedade compartilhada.
Luiz Sandler, fundador da Jet Match, também identifica demanda pelo cartão de horas. Na empresa, os clientes que escolhem o produto utilizam as horas em viagens pela Europa. Sandler chama o serviço de “pré-pago”, mas afirma que compra e venda de aeronaves e gerenciamento continuam sendo as principais áreas do negócio. A Jet Match possui oito aeronaves, entre helicópteros, jatos e turboélices.
Frota e financiamento
A Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag) estima 1,2 milhão de movimentações de aeronaves executivas no Brasil em 2026, considerando pousos e decolagens. A projeção corresponde a uma alta de 9% em relação ao patamar do ano passado. Entre janeiro e maio deste ano, foram registradas 438,3 mil movimentações.
A frota de aviação de negócios alcançou 11.362 aeronaves em maio deste ano, crescimento de 4,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. Mais da metade é formada por aeronaves a pistão, enquanto os jatos representam 2% do total.
Durante o Catarina Aviation Show, o Bradesco Global Private Bank lançou uma linha de financiamento em dólar para jatos executivos novos ou seminovos. O produto permite financiar até 75% do valor da aeronave. O banco já oferecia leasing e consórcio para o segmento.
Mariana Adamson Amaral, superintendente do Bradesco Global Private Bank, afirma que a instituição avalia com o cliente se o financiamento é adequado à sua estrutura patrimonial e ao uso pretendido. Segundo ela, os tomadores são, em geral, famílias empresárias e clientes com estruturas patrimoniais mais complexas.


