BRASÍLIA — A investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de uso de uma milícia privada para intimidar pessoas e invadir sistemas está na etapa final antes da conclusão desse estágio. Como último ato, a corporação marcou os depoimentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e de seu pai, Henrique Vorcaro, para o dia 30.
Henrique será ouvido às 14h, e Daniel, às 16h. As oitivas estavam previstas para a semana passada, mas foram adiadas a pedido da defesa de Daniel, dono do Banco Master. A defesa do ex-banqueiro não se manifestou.
Eugênio Pacelli, advogado de Henrique, afirmou que seu cliente solicita ser ouvido há três meses. Henrique foi preso em 14 de maio, durante a 6ª fase da Operação Compliance Zero. Um agente da Polícia Federal e três hackers que atuavam para o grupo também foram alvos de mandados de prisão.
Grupos investigados
A operação desta quinta-feira apura a atuação de pessoas relacionadas a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário. Ele era suspeito de trabalhar para Vorcaro em uma milícia privada e cometeu suicídio ao ser preso, em março.
Sicário integrava um grupo chamado A Turma, investigado por fazer ameaças sob determinação do ex-banqueiro. Os hackers, por sua vez, faziam parte de Os Meninos. As apurações indicam que eles receberam dinheiro para derrubar perfis em redes sociais de pessoas críticas a Vorcaro e ao Banco Master, além de invadir dispositivos e contas de opositores.
Andamento dos casos
Embora o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, tenha determinado o envio das investigações dos casos Master e INSS ao gabinete dele, os trabalhos da PF não foram completamente interrompidos. As apurações continuam, mas eventuais pedidos que dependam de despacho do ministro André Mendonça, relator dos casos, permanecem pendentes.


