CURITIBA — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a taxa de juros representa a principal parcela da dívida brasileira e defendeu que o governo amplie os investimentos para estimular o crescimento e a geração de empregos. As declarações foram dadas durante um comício na cidade, onde ele concorre à reeleição para a Presidência da República no pleito de outubro.
Lula disse que o país paga R$ 1,3 trilhão em juros e classificou como “babaquice de fazer superávit” a busca por resultado positivo nas contas públicas. Para o presidente, o restante da dívida estaria relacionado a investimentos.
Divergência com o plano de governo
A posição apresentada no comício contrasta com o plano de governo do PT protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O documento promete uma política fiscal responsável, com controle do aumento do gasto primário, melhoria da eficiência e da qualidade das despesas públicas, promoção de justiça tributária e combate a privilégios e distorções.
O texto afirma que o resultado fiscal deverá ser obtido com a retomada do crescimento econômico e prevê uma redução sustentada da taxa de juros por meio do aumento dos investimentos produtivos e do crescimento econômico de longo prazo.
Em entrevista à TV Globo, no fim de agosto, Lula havia declarado que o país teria superávit. Na ocasião, também afirmou que pretendia promover uma “revolução tecnológica” em um eventual próximo mandato, com investimentos em inteligência artificial, minerais críticos, terras raras e defesa. O presidente disse que o resultado das contas, então de 0,8%, seria positivo após ter sido de 2,8%.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reiterou nas últimas semanas que o governo buscará retomar a trajetória de superávit a partir de 2027, caso Lula seja reeleito. A proposta de orçamento enviada ao Congresso Nacional prevê saldo positivo de R$ 18,6 bilhões, depois de um período de contas no vermelho.
Pressão sobre juros e dívida
Analistas têm demonstrado preocupação com a trajetória das contas públicas. Eles avaliam que déficits fiscais recorrentes pressionam a taxa de juros e o endividamento público. Para reduzir o juro e conter a dívida, defendem um ajuste fiscal mais forte.
Economistas também observam que uma redução da Selic, atualmente em 14%, não garante juros menores em toda a economia. As taxas de longo prazo são definidas pelo mercado e refletem expectativas sobre inflação, atividade econômica e gastos públicos. Quando essas expectativas pioram, os investidores exigem taxas mais altas para financiar o governo.
Esse movimento aumenta o custo da rolagem da dívida pública, realizada por meio da emissão de títulos do Tesouro Nacional, e pode elevar o endividamento brasileiro. A dívida pública atingiu 82% em junho, maior patamar desde a pandemia, com alta de mais de 10 pontos na parcial da atual gestão de Lula. A proposta de ajuste das contas prevê melhora gradual para tentar conter esse crescimento e reduzir os juros.


