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Economia

Acordo de Mansur aponta rota de recursos do caso Master no exterior

Colaboração enviada a André Mendonça ainda aguarda validação e descreve o uso de fundos da Reag em pagamentos atribuídos a Daniel Vorcaro.

Acordo de Mansur aponta rota de recursos do caso Master no exterior
Foto: Folhapress

A colaboração premiada de João Carlos Mansur apresenta informações sobre recursos ligados ao caso Banco Master que foram enviados para fora do Brasil. O empresário afirma que fundos administrados pela Reag teriam sido usados para ocultar pagamentos de propina atribuídos a Daniel Vorcaro, do Banco Master, a autoridades públicas.

O acordo foi encaminhado na última semana ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e ainda precisa ser validado. A Polícia Federal participou do início das negociações, mas não continuou nas tratativas.

De acordo com pessoas que conhecem o conteúdo da colaboração, Mansur detalha a atuação da Reag, dos fundos envolvidos e de pessoas que teriam operado como laranjas de Vorcaro. O material também descreve como as operações financeiras foram realizadas, a localização de valores remetidos ao exterior e os mecanismos previstos para recuperar esses recursos.

Recursos fora do país

Investigadores afirmam que boa parte do dinheiro desviado no esquema relacionado ao Master está em offshores, empresas registradas fora dos países de seus proprietários. A colaboração pode permitir a devolução dos valores ao Brasil sem que, em muitos casos, seja necessário negociar com autoridades estrangeiras. Com isso, alguns países não poderiam cobrar do Brasil um percentual sobre a quantia recuperada.

Como parte do acordo, Mansur se comprometeu a pagar uma multa de R$ 40 milhões. A defesa de Vorcaro disse que não teve acesso aos anexos da colaboração e, por isso, não poderia se manifestar. A defesa de Mansur não se manifestou.

As informações apresentadas pelo empresário reforçam suspeitas já investigadas sobre fraudes financeiras envolvendo Vorcaro e a Reag. A Polícia Federal suspeita que fundos da gestora tenham sido usados para ocultar pagamentos de propina em imóveis a Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.

Situação dos envolvidos

Mansur deixou a presidência do Conselho de Administração da Reag em setembro de 2025, após a operação Carbono Oculto, que investigou a infiltração do PCC em atividades da economia formal. A empresa estava entre os principais alvos e foi acusada de ter mantido, em fundos sob sua gestão, recursos provenientes do crime.

Em janeiro deste ano, o empresário foi alvo de buscas na segunda fase da operação Compliance Zero, relacionada aos escândalos do Banco Master. Ele não foi preso e não está detido. Depois, o Banco Central decretou a liquidação da Reag por comprometimento da situação econômico-financeira da corretora e por graves violações às normas do sistema financeiro nacional.

As negociações de Mansur com a Procuradoria-Geral da República começaram em fevereiro e terminaram em agosto. Antes disso, ele havia discutido a possibilidade de um acordo com o Ministério Público Federal em São Paulo e, posteriormente, com o Ministério Público de São Paulo. As conversas iniciais não avançaram.

Paulo Henrique Costa também tentou firmar uma colaboração, mas as tratativas não prosseguiram. Atualmente, ele está preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha, onde Vorcaro também está detido.

Em agosto, a PGR fechou outro acordo de delação com Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. Próximo de Vorcaro, ele teria sido responsável por remessas financeiras e pela obtenção de dinheiro vivo para o ex-banqueiro. Investigadores avaliam que as duas colaborações reduzem a capacidade de negociação de Vorcaro, que teve propostas rejeitadas pela Polícia Federal e pela PGR.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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