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Internacional

Conflito entre Israel e ONU se aprofunda após ataques de 2023

Críticas israelenses à organização envolvem resoluções sobre a Palestina, acusações de antissemitismo e a relação com António Guterres.

Conflito entre Israel e ONU se aprofunda após ataques de 2023
Foto: Xinhua

As críticas do governo israelense às Nações Unidas se intensificaram depois dos ataques de 7 de outubro de 2023. Desde então, diplomatas de Israel destruíram publicamente uma cópia da carta da organização em 2024, acusaram órgãos da ONU de abrigar integrantes do Hamas e disseram repetidas vezes que a entidade age de forma antissemita.

A relação com o secretário-geral António Guterres também se deteriorou. Uma autoridade do governo israelense, ouvida sob anonimato, atribuiu parte do desgaste ao português, cujo mandato termina em dezembro. Na avaliação dessa autoridade, Guterres responsabilizou Israel pelos ataques ao afirmar, cerca de duas semanas depois do atentado, que eles não haviam ocorrido de forma isolada, em referência à ocupação do território palestino.

O rompimento com a secretaria-geral ocorreu depois que a ONU incluiu Israel em uma lista de países responsáveis por violência sexual em conflitos. Tel Aviv decidiu manter a ruptura até a saída de Guterres.

Disputa sobre o tratamento dado a Israel

Rafael Rozenszajn, major da reserva das Forças Armadas israelenses e primeiro porta-voz da corporação em língua portuguesa, afirma que Israel é alvo de um tratamento desigual. Ele compara as condenações recebidas por Irã, Coreia do Norte e Síria, que teriam ocorrido apenas cerca de dez vezes nos últimos dez anos, com mais de 150 votações em que Israel foi criticado.

Esses números se referem a resoluções sobre a situação na Palestina aprovadas por maioria simples na Assembleia-Geral da ONU. As medidas têm impacto simbólico. No Conselho de Segurança, o veto dos Estados Unidos impede decisões contra Israel, embora as resoluções desse órgão tenham caráter vinculante.

Richard Gowan, diretor do programa de Instituições Globais do International Crisis Group, reconhece que diplomatas e funcionários da ONU já cometeram antissemitismo. Ele afirma, porém, que a maioria dos Estados-membros, inclusive países com boas relações com Israel, entende que a organização tem uma responsabilidade especial com os palestinos.

Para Gowan, a permanência da questão palestina na agenda da ONU não representa necessariamente obsessão. Ele avalia que o tema é tratado como parte da identidade da organização, enquanto outras causas, como Darfur, Mianmar e a Síria, ganham e perdem espaço ao longo do tempo.

Uma tensão que remonta a décadas

A contestação israelense à ONU não começou com o atual governo. Em março de 1988, Binyamin Netanyahu, então embaixador de Israel junto às Nações Unidas, afirmou em entrevista que a organização havia se transformado em instrumento de uma disputa contra seu país. Aos 38 anos, ele era o ocupante mais jovem do cargo até então e deixaria a função poucos dias depois.

A entrevista ocorreu em meio ao isolamento internacional de Israel provocado pela invasão e ocupação do Líbano. Para Gowan, o afastamento entre Israel e a ONU começou a se acentuar depois da guerra de 1967, quando Israel conquistou a Cisjordânia, a Faixa de Gaza, as Colinas de Golã e o Sinai.

Segundo o especialista, nos anos 1950 Israel era associado a países que haviam sido colônias. Após a Guerra dos Seis Dias, os países não alinhados passaram a apoiar o grupo árabe e se voltaram contra Israel.

A divergência também envolve a interpretação sobre a atenção dedicada à Palestina. Francesca Albanese, relatora especial da ONU para a Palestina, diz que o foco decorre da proteção de Israel pelo veto dos Estados Unidos no Conselho de Segurança. Ela afirma que as resoluções da Assembleia-Geral são aprovadas e, no dia seguinte, violadas, o que produziria uma quantidade elevada de medidas.

Albanese é considerada parcial pelo governo israelense e por seus apoiadores. Ela sofreu sanções dos Estados Unidos em 2025 e defende que Israel seja rebaixado à condição de membro-observador, como ocorreu com a África do Sul durante o apartheid. Seu mandato, escolhido pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, termina em 2028.

Uma autoridade israelense afirma que a burocracia da organização se acostumou a uma posição pró-Palestina, refletida no funcionamento diário da ONU. Apesar da postura de confronto, o governo não pretende deixar a entidade e apresenta sua conduta como uma questão de princípio.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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