RIO DE JANEIRO — O Ministério Público do Rio de Janeiro abriu uma investigação contra Douglas Ruas (PL), presidente da Assembleia Legislativa do estado e candidato ao governo fluminense. O procedimento apura possíveis crimes de peculato, lavagem de dinheiro, delitos licitatórios e organização criminosa relacionados ao crescimento patrimonial de empresas ligadas ao deputado. O processo tramita em segredo de Justiça.
A promotoria analisa a evolução financeira da Saur Construção, Terraplanagem e Locação e da DM Invest Consultoria e Participações. Segundo o MP-RJ, o aumento teria ocorrido durante a ascensão política de Douglas Ruas e de seu pai, Capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo (RJ).
Testemunhas ouvidas pelos promotores afirmaram que participavam do esquema investigado. O órgão também considera uma auditoria realizada durante o governo interino do desembargador Ricardo Couto, sobre contratos assinados quando Ruas ocupava a Secretaria das Cidades na gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL).
Contratos e imóveis
A auditoria identificou contratos de R$ 702 milhões com consórcios liderados pela FP Vieira Engenharia. Em um desses acordos, a empresa subcontratou a Mineração Santa Edwiges, pertencente à família do deputado federal Altineu Côrtes, presidente do PL no Rio. O MP-RJ afirma haver ligação entre as famílias de Douglas Ruas e Altineu Côrtes.
A promotoria também investiga a compra de um imóvel em São Gonçalo pelas empresas Saur Construção, Terraplanagem e Locação e Normandia Empreendimentos e Participações. A Saur está registrada em nome de Douglas Ruas e Capitão Nelson. Conforme o órgão, a empresa movimentou mais de R$ 12 milhões em imóveis entre 2023 e 2025.
Ruas afirmou estar disposto a prestar esclarecimentos e disse que ainda não havia sido notificado. Ele também declarou que um procedimento anterior sobre os mesmos fatos foi arquivado pelo MP após a avaliação de que as informações eram inverídicas. O deputado negou ter respondido a processo criminal.
Em outra manifestação, afirmou que a carteira de investimentos da Saur é definida pelo sócio-administrador, e não por ele, e que as aquisições de precatórios foram feitas por meio de um escritório de investimentos.
As empresas Saur e Mical Invest e Participações compraram precatórios ligados a uma mulher de 75 anos, indenizada por tortura sofrida durante a ditadura militar, e a um agente demitido da Polícia Civil sob acusação de corrupção. Um dos títulos tinha valor de R$ 917 mil.
A apuração ocorre em meio a auditorias determinadas por Ricardo Couto em secretarias e órgãos da administração direta e indireta do Rio. O orçamento estadual de 2026 prevê déficit de R$ 18 bilhões. Em abril, o governador interino determinou o bloqueio de R$ 730 milhões destinados a 16 municípios; desse total, R$ 250 milhões seriam encaminhados à Secretaria de Cidades, então comandada por Douglas Ruas.


