O New York Times completou 175 anos após publicar cerca de 15 milhões de reportagens sobre a transformação dos Estados Unidos. Criado em 18 de setembro de 1851, o jornal começou com uma edição de quatro páginas, produzida à luz de velas e vendida por um centavo.
A primeira edição foi publicada na rua Nassau, em Nova York, quando a cidade ainda tinha prédios baixos, ruas de paralelepípedo e uma orla ocupada por escunas, barcas a vapor e píeres. Desde então, o jornal afirma ter acompanhado a evolução do país em 61 mil edições.
Cobertura de guerras e crises
As reportagens registraram o crescimento dos Estados Unidos, de uma nação com 24 milhões de habitantes a uma potência global de quase 350 milhões. O jornal também cobriu mudanças tecnológicas, disputas por direitos iguais, guerras, crises econômicas e tragédias.
Entre os episódios citados estão os primeiros tiros da Guerra Civil, em Fort Sumter, quando um correspondente foi preso sob acusação de espionagem para a União. Nos anos 1920, a cobertura de Wall Street alertou para riscos nos mercados e desagradou a financistas. Após a Grande Depressão, um banqueiro afirmou que o país estaria melhor se tivesse dado atenção aos alertas publicados.
Correspondentes também trabalharam na Segunda Guerra Mundial, com alguns mortos ou feitos prisioneiros. Em Memphis, um repórter estava no Lorraine Motel quando Martin Luther King Jr. foi baleado. Vinte e cinco anos antes do aniversário mencionado no texto, jornalistas correram para os escombros das Torres Gêmeas após o ataque e, depois, passaram a viver no Afeganistão e no Iraque para cobrir as guerras seguintes.
O jornal reconhece que cometeu erros e diz buscar transparência quando isso ocorre. Também afirma que sua atuação depende da liberdade de investigação e de expressão protegida pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos.
Pressões sobre a imprensa
A publicação sustenta que o jornalismo enfrenta uma redução de recursos, a apropriação de seu trabalho por empresas de inteligência artificial e ataques políticos à sua legitimidade. Segundo o jornal, esse ambiente dificulta a apuração de abusos de poder e favorece a circulação de medo, indignação e desinformação por influenciadores, propagandistas partidários e robôs de IA.
A história do New York Times inclui confrontos com autoridades e grupos políticos. Na década de 1870, William "Boss" Tweed tentou impedir uma reportagem sobre sua máquina política. Seus aliados ofereceram um suborno equivalente a mais de US$ 100 milhões em valores atuais, recusado pelo dono do jornal.
John F. Kennedy espionou um repórter. Richard Nixon tentou impedir a publicação dos documentos do Pentágono. George W. Bush e Barack Obama recorreram à Justiça para tentar obrigar jornalistas a revelar fontes confidenciais. Donald Trump é descrito como o presidente moderno mais hostil ao jornal, embora ainda leia a publicação, responda a perguntas e a cite quando considera conveniente.
Ao relacionar o aniversário do jornal aos 250 anos dos Estados Unidos, o New York Times defende que informação confiável é necessária para que os cidadãos façam escolhas conscientes e acompanhem a atuação de seus líderes. O jornal também afirma que os registros do passado podem ajudar a avaliar crises atuais e decisões futuras.


