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Economia

OMC vê risco de fragmentação e propõe negociações por grupos de países

Relatório da organização aponta queda na participação do comércio sob o princípio da nação mais favorecida e calcula efeitos de cenários até 2050.

OMC vê risco de fragmentação e propõe negociações por grupos de países
Foto: Xinhua

A parcela do comércio global submetida ao princípio da nação mais favorecida caiu de 80% para 72% em quatro anos, segundo o World Trade Report 2026, divulgado nesta terça (15) pela Organização Mundial do Comércio (OMC). O mecanismo determina que vantagens comerciais concedidas por um país a outro sejam estendidas aos demais parceiros.

O relatório avalia que essa redução expressa o avanço da fragmentação comercial e reforça a necessidade de atualizar as regras da organização. Sem reformas, o PIB global recuaria 5,1% e as exportações diminuiriam 18,6% até 2050. Nos países mais pobres, o impacto sobre a atividade econômica seria três vezes maior.

Alternativas para a reforma

A OMC afirma que um dos principais obstáculos é alcançar consenso entre os 166 membros para a elaboração de tratados amplos. Entre as possibilidades analisadas está a expansão de negociações plurilaterais, nas quais grupos de países interessados em determinados temas discutem mudanças específicas.

O relatório também defende a avaliação de compromissos de abertura comercial para países emergentes, levando em conta seu peso crescente no comércio mundial e as necessidades de desenvolvimento. Outra frente envolve a retomada de um sistema de solução de disputas com uma instância recursiva eficaz. O órgão de apelação da OMC está paralisado desde 2019, depois que os Estados Unidos bloquearam a nomeação de novos juízes.

A entidade aponta ainda a necessidade de modernizar os acordos sobre subsídios. A proposta é estabelecer critérios mais claros para distinguir políticas consideradas legítimas, como a descarbonização, de incentivos que distorçam a concorrência internacional.

Cenários para o comércio mundial

O relatório estima que, em uma situação mais extrema, sem a existência da OMC e com apenas acordos bilaterais e regionais de livre comércio, o PIB global cairia 6,9% até 2050. As exportações recuariam 26,9%. Em sentido oposto, um ambiente de cooperação comercial reforçada produziria alta de 2,9% no PIB e de 17,9% nas exportações mundiais.

Para Robert Staiger, economista-chefe da OMC, a diferença entre os dois futuros pode chegar a 10 pontos percentuais do PIB real global. "Se o estado atual das coisas é insustentável, como acreditam muitos membros, isso ilustra o custo potencial da inação em matéria de reformas", afirmou.

A organização identifica quatro desafios ao sistema multilateral. O primeiro é a dispersão do poder econômico: desde a criação da OMC, na década de 1990, os países em desenvolvimento quase dobraram sua participação no comércio internacional e hoje respondem por 45% do comércio de bens.

Também pesam a expansão das políticas industriais, dos recursos públicos e da atuação de empresas estatais; a transformação das cadeias globais de suprimentos e das trocas digitais; e a rivalidade entre grandes potências. As trocas digitais cresceram 10% apenas em 2025, mas enfrentam regras internas para as quais as normas tradicionais da OMC não foram desenhadas.

A disputa por segurança nacional, domínio tecnológico e concentração produtiva levou governos a restringir exportações e priorizar acordos com aliados. Para Staiger, a resposta não deve ser manter o sistema sem alterações, mas adaptar suas regras, corrigir o que deixou de funcionar e preservar seus princípios fundamentais.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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