LAHORE — O engenheiro de software Abdul Rafay, de 24 anos, decidiu trocar uma Honda CD 70 por uma motocicleta elétrica depois que os custos da gasolina dispararam. Ele percorria cerca de 64 quilômetros por dia entre a casa e o trabalho e passou a calcular quanto poderia economizar com um veículo sem combustível.
"Se eu puder economizar algumas rúpias, eu vou", disse Rafay, que visitou lojas de motocicletas e scooters elétricas antes de escolher um modelo da Vlektra. Ele também conversou com funcionários e compradores em concessionárias para avaliar se a moto teria condições de enfrentar as ruas do Paquistão.
A mudança ocorre em um país onde os veículos de duas rodas têm presença expressiva. Em Lahore, cidade de 14 milhões de habitantes, motocicletas circulam entre riquixás e carros. A elevação dos preços do petróleo, provocada pela guerra no Irã, influenciou decisões de compra e acelerou a transição para fontes de energia limpa em países em desenvolvimento, conforme a análise apresentada.
Um teste nas ruas de Lahore
A capacidade da motocicleta foi demonstrada durante um passeio pelas ruas da cidade. Rafay conduziu o veículo por uma rotatória e, depois, acelerou para ultrapassar um riquixá. Em uma reta, desviou entre motos e carros e passou por um espaço estreito entre dois veículos laranja.
A circulação ocorre mesmo em condições difíceis. As ruas podem ficar congestionadas e alagadas ao mesmo tempo. Durante chuvas de monções, áreas mais baixas ou com drenagem precária chegaram a ficar cobertas por água até as canelas. Motociclistas que usam modelos a gasolina ou elétricos ficam expostos à chuva e às enchentes.
Apesar das dificuldades, o passeio indicou que a moto escolhida por Rafay tinha potência suficiente para o trânsito local. Antes de retornar ao carro usado durante a semana, o capacete foi devolvido e a experiência terminou sem incidentes.


