A Polícia Federal atribui a um grupo ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro a coleta de informações sigilosas, o mapeamento de pessoas e empresas e ações de intimidação. Chamado de A Turma, o grupo teria seis integrantes, liderança do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva e remuneração mensal de cerca de R$ 400 mil.
As mensagens analisadas pela PF mostram que o grupo também seguia um calendário de férias. Em 13 de dezembro de 2023, Marilson pediu a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, que cobrasse de Vorcaro uma decisão sobre uma demanda em negociação. A justificativa era que, por ser fim de ano, os integrantes sairiam de férias e o serviço poderia ficar para a última hora.
Demanda aguardava autorização
A cobrança estava relacionada ao envio de uma notificação ou documento semelhante para um destinatário não identificado pelos investigadores. Segundo o relatório, Marilson havia tratado do assunto com Mourão, e o documento já estava pronto. A execução dependia da anuência de Vorcaro.
Mourão encaminhou ao ex-banqueiro um áudio de Marilson pedindo uma definição. A PF não identificou quem receberia o documento nem qual seria o objetivo da medida.
As conversas examinadas foram trocadas entre outubro de 2023 e novembro de 2025. De acordo com a Polícia Federal, Mourão fazia a intermediação entre Vorcaro e grupos contratados para diferentes serviços. Marilson se aposentou da PF em 2022.
Repasses e atribuições
A investigação afirma que os pagamentos saíam de empresas ligadas ao grupo empresarial de Vorcaro e chegavam a A Turma por meio de uma empresa de Mourão. Também foram identificados repasses mensais de R$ 1 milhão da Super Empreendimentos e Participações para a King Participações Imobiliárias, ligada a Mourão.
Esse valor seria distribuído entre diferentes grupos arregimentados pelo intermediário. A PF afirma que 40% do pagamento mensal ficava com os seis integrantes de A Turma.
Mourão teria intermediado pelo menos três grupos remunerados para realizar ações de interesse pessoal de Vorcaro e de suas empresas, especialmente o Banco Master. Outro grupo era chamado de Os Meninos.
Segundo a PF, A Turma tinha como atribuições levantar informações sobre inquéritos e processos em andamento, inclusive sigilosos, além de obter dados de pessoas e empresas em sistemas oficiais de acesso restrito. Os investigadores também relacionam o grupo a ações de intimidação contra pessoas que desagradassem a Vorcaro.

