RIO GRANDE DO SUL — A Terradot pretende testar no estado uma combinação de técnicas para reduzir emissões do cultivo de arroz e retirar dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera. A empresa tem o Google como investidor, e o projeto prevê a contabilização separada dos resultados de cada frente.
Em uma delas, a iniciativa busca diminuir o metano liberado pelos arrozais. O cultivo costuma ocorrer em áreas alagadas, ambiente que favorece microrganismos produtores do gás. Uma avaliação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) estima que os arrozais respondam por cerca de 10% a 12% das emissões globais de metano.
A redução obtida será convertida em créditos de carbono, com previsão de equivalência a 1 milhão de toneladas métricas de metano até 2030. Esse crédito representa uma redução ou retirada de gases de efeito estufa. Em geral, 1 crédito corresponde a 1 tonelada de CO₂ equivalente que deixou de ser emitida ou foi removida do ar. Para ter valor, o resultado precisa ser medido e verificado por regras específicas.
A outra frente empregará a chamada meteorização aprimorada de rochas. Alguns minerais reagem naturalmente com o CO₂ presente na atmosfera, mas o processo é lento. A técnica busca acelerá-lo para retirar mais carbono do ar. No projeto do Rio Grande do Sul, a Terradot prevê créditos correspondentes à remoção de mais 1 milhão de toneladas de carbono até 2040.
A iniciativa será o maior projeto já anunciado de meteorização aprimorada de rochas. A parcela dedicada à remoção de carbono é dez vezes maior que a de projetos anteriores desse tipo.
Expansão e custos
A Terradot e o Google pretendem testar o modelo em escala grande para, depois, levá-lo a outras regiões. As empresas afirmam que a proposta poderia alcançar cerca de 1,5 milhão de hectares de áreas brasileiras de cultivo de arroz e ser adaptada a outros grandes produtores, como Índia e Vietnã. Projetos-piloto em outros países estão previstos para 2026, com expansão comercial a partir de 2028.
O Google comprou uma participação na Terradot em 2024. O investimento se relaciona também ao aumento do consumo de energia das grandes empresas de tecnologia, especialmente pela expansão dos data centers usados por serviços de inteligência artificial. Para a empresa, reduzir o metano e remover CO₂ são ações complementares, porque o metano contribui para o aquecimento no curto prazo, enquanto o CO₂ pode permanecer na atmosfera por séculos.
O valor do novo acordo não foi divulgado. Em 2024, um contrato público da Terradot para remover 90 mil toneladas de carbono indicava custo de cerca de US$ 300 por tonelada. Desenvolvedores consideram que um preço de US$ 100 por tonelada seria necessário para estimular uma demanda maior.
James Kanoff, CEO da Terradot, afirmou que o novo projeto custará menos que acordos anteriores. A empresa ainda não alcançou US$ 100 por tonelada, mas considera a iniciativa um avanço. A Terradot também informou que a verificação dos resultados pode acrescentar mais de US$ 100 por tonelada aos custos, com expectativa de redução desse valor à medida que a tecnologia avance e seja aplicada em projetos maiores.


