A Petrobras informou nesta quarta-feira (16) que elevou em R$ 1 por litro o preço do diesel vendido em suas refinarias. A adesão a um novo programa de subvenção, aprovado na semana passada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, garante à empresa um ressarcimento adicional no mesmo valor e deve neutralizar o aumento ao consumidor.
Com o benefício anterior, a compensação chega a R$ 2,12 por litro. Ainda assim, o montante não cobre toda a diferença em relação ao preço de paridade de importação, que está acima de R$ 3 por litro. Essa referência estima o custo de trazer o diesel do exterior.
Pressão sobre o abastecimento
O Brasil depende de importações para atender cerca de 30% da demanda. A avaliação do mercado era de que, sem estímulo às compras feitas por empresas privadas, poderia faltar combustível em outubro, período de maior consumo associado ao escoamento da safra agrícola. Produtores rurais do Rio Grande do Sul já relatavam dificuldade para encontrar diesel nos últimos dias.
A pressão aumentou depois que as cotações internacionais subiram com a retomada da guerra no Irã. O petróleo voltou a ser negociado acima de US$ 100 por barril, sem expectativa de queda. Nesse contexto, a Petrobras vinha comercializando o diesel por menos da metade do preço de paridade de importação.
Em nota, a estatal afirmou que o programa é “compatível com os interesses da companhia, preservando sua flexibilidade na implementação da estratégia comercial”. A empresa disse ainda que sua política de preços busca evitar o repasse imediato da volatilidade internacional e da taxa de câmbio, além de considerar a produção nacional de parte relevante dos combustíveis.
A última alteração no preço do diesel havia ocorrido no início de junho, com um corte motivado pela queda das cotações internacionais. Na semana passada, a Petrobras também anunciou aumento da gasolina para receber parte de um subsídio, mas cancelou a decisão quatro horas depois. Após o recuo, o preço caiu R$ 0,19 por litro nas refinarias.


