O preço médio do diesel S-10 nos postos brasileiros subiu 2,3% nesta semana em relação à anterior e chegou a R$ 7,13 por litro. O valor é o maior desde o final de maio, conforme pesquisa divulgada pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nesta sexta-feira (18).
A alta ocorre no início do plantio de soja, período de maior demanda por diesel, e acompanha a elevação das cotações internacionais do petróleo e de seus derivados. O Brent, referência internacional, fechou a sexta-feira a US$ 104,87 por barril, ante cerca de US$ 93 no começo do mês.
As cotações foram influenciadas pela retomada dos ataques entre os Estados Unidos e o Irã, pela intensificação das atividades militares dos houthis, aliados do Irã, e por desdobramentos dos conflitos entre Rússia e Ucrânia.
A diferença entre os preços internacionais e os valores praticados pela Petrobras no Brasil também atingiu níveis recordes. Importadores passaram a adiar decisões de compra, segundo executivos do setor de distribuição e importação, o que elevou as preocupações com restrições localizadas de oferta e distorções regionais no mercado brasileiro.
Subvenção e formação dos preços
O governo brasileiro adotou programas de subvenção ao diesel para amortecer os efeitos da alta. Cerca de 30% do combustível consumido no país é importado, e nem todos os agentes participam das iniciativas governamentais.
A Fecombustíveis, entidade que representa cerca de 40 mil postos, disse acompanhar os efeitos da instabilidade internacional sobre os preços e o abastecimento. A organização afirmou que a avaliação dos valores deve considerar produção, importação, refino, distribuição, logística, tributação e mistura obrigatória de biocombustíveis, além do preço nas bombas.
Na quarta-feira (16), a Petrobras informou aumento de R$ 1 por litro no preço médio do diesel para distribuidoras. A empresa também comunicou um desconto no mesmo valor, concedido por meio da subvenção econômica do governo federal, neutralizando o reajuste.


