Mahmoud Abbas não poderá viajar aos Estados Unidos para participar presencialmente da Assembleia Geral da ONU. O governo americano negou novamente o visto de entrada do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), cuja presença era prevista no encontro que começa na próxima semana, em Nova York.
A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (16), junto com novas sanções do Departamento de Estado dos EUA contra integrantes da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e funcionários da Autoridade Palestina. É o segundo ano consecutivo em que Abbas fica impedido de comparecer pessoalmente à reunião anual das Nações Unidas.
Justificativas do governo americano
Em comunicado, o Departamento de Estado afirmou que a OLP e a Autoridade Palestina "falharam novamente" em cumprir compromissos assumidos com os Estados Unidos. O governo americano também acusa a Autoridade Palestina de continuar pagando benefícios a pessoas classificadas pelos EUA como terroristas e de glorificar atos de terrorismo em declarações públicas e livros escolares.
As medidas, segundo a nota, decorrem da falta de reformas atribuída às duas organizações e de ações que, na avaliação americana, prejudicam as perspectivas de um acordo de paz. A decisão repete uma medida adotada pelo governo de Donald Trump em 2025, quando os vistos de Abbas e de outros integrantes da Autoridade Palestina e da OLP foram revogados.
Participação por videoconferência
A restrição anterior não impediu a participação de Abbas na Assembleia Geral. Em setembro de 2025, os países-membros da ONU aprovaram uma resolução que autorizou o presidente palestino a discursar por videoconferência. A proposta recebeu 145 votos favoráveis; Estados Unidos e Israel ficaram entre os cinco países contrários, e outros seis se abstiveram.
A Autoridade Nacional Palestina exerce partes das funções de governo em áreas da Cisjordânia. Criada após os acordos de Oslo, na década de 1990, a entidade integra o processo de formação de um autogoverno palestino. Ela é ligada à OLP, que reúne diferentes grupos políticos palestinos e mantém uma relação de rivalidade com o Hamas.
Depois que o Hamas venceu as eleições legislativas palestinas de 2006 e assumiu o controle da Faixa de Gaza, a Autoridade Palestina deixou de administrar o território. Sua atuação ficou concentrada, na prática, em partes da Cisjordânia.


