O presidente do Líbano, Joseph Aoun, pediu apoio internacional às Forças Armadas libanesas enquanto elas avançam para assumir posições no sul do país. A solicitação será discutida em Paris, em uma reunião organizada pelo presidente francês Emmanuel Macron, com a participação do rei Abdullah 2º, da Jordânia.
Aoun afirmou que o Líbano pretende contar temporariamente com uma força internacional depois do encerramento do mandato da Unifil, a missão de paz das Nações Unidas no sul do país. A proposta, segundo ele, busca impedir um vazio de segurança até que o Exército libanês consiga ocupar toda a área.
Apoio e transição no sul
O presidente defendeu que Estados Unidos, União Europeia e países árabes apoiem as tropas libanesas durante o deslocamento. A força provisória poderia ser europeia, americana, asiática, ligada à ONU ou formada por uma combinação de países europeus, árabes e asiáticos.
“Temporária, até que o Exército [libanês] possa se posicionar”, disse Aoun ao descrever a função da eventual missão. A Unifil começou a ser retirada após o Conselho de Segurança da ONU votar, em 2025, pelo fim de seu mandato, sob pressão dos Estados Unidos.
Se não houver prorrogação, o fechamento gradual das bases começará em 1º de janeiro. Mais de 7.500 soldados de forças de paz de quase 50 países deverão deixar a região e entregar suas posições às tropas libanesas.
Negociação com Israel e Hezbollah
Aoun também declarou que pretende negociar um acordo de segurança com Israel depois da retirada das tropas israelenses do sul do Líbano. O objetivo seria encerrar o estado de hostilidade e permitir que o Exército libanês se posicione na fronteira. Segundo ele, um entendimento desse tipo poderia preparar um futuro acordo de paz, mas não seria possível começar diretamente por esse caminho.
O presidente reiterou ainda que o desarmamento do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, é uma decisão que não está aberta à discussão. Ele afirmou, porém, que o governo pretende resolver a questão de forma pacífica, sem confronto ou uma nova guerra civil.
A Unifil foi criada em 1978, depois da invasão israelense ao sul do Líbano. Seu mandato foi renovado diversas vezes, inclusive após a retirada das tropas israelenses, em 2000. Depois da guerra de um mês entre Israel e o Hezbollah, em 2006, a missão passou a monitorar o cessar-fogo na fronteira e a garantir acesso humanitário aos civis.


