O governo da Arábia Saudita manteve para este domingo a conferência internacional de energia prevista em Riad, apesar do fechamento temporário do Aeroporto Internacional Rei Khalid após um bombardeio que matou 12 pessoas e feriu mais de 300. O evento ocorre em um centro de convenções a cerca de 10 km do terminal, com duração de cinco dias.
O Ministério da Energia informou que o Congresso de Energia da WPC continua confirmado. Mais de 70 ministros, 300 executivos de empresas e representantes de mais de 25 organizações internacionais de energia haviam confirmado presença, segundo a TV estatal.
Restrições em Riad
O Ministério da Educação saudita determinou que as escolas de Riad adotem o ensino remoto durante uma semana. “todas as escolas de Riade passarão para o ensino à distância durante toda a semana”, dizia a mensagem enviada aos pais.
A coalizão liderada pela Arábia Saudita afirmou que um projétil não identificado atingiu o terminal 4 do Aeroporto Internacional Rei Khalid. O ataque aconteceu no sábado, por volta das 15h no horário local, sem que o sistema saudita de alerta de ameaças emitisse aviso.
Os Houthis assumiram a autoria do bombardeio e afirmaram que a ação foi uma retaliação aos ataques sauditas contra o território do Iêmen. O grupo também declarou ter atacado o aeroporto de Dammam e instalações da Aramco na província oriental da Arábia Saudita.
Neste domingo (11), os Houthis relataram ainda um ataque atribuído à Arábia Saudita contra o Aeroporto Internacional de Sanaa, capital do Iêmen. Não havia confirmação oficial nem detalhes sobre esse suposto bombardeio.
Voos cancelados e alertas
Kuwait Airways cancelou voos para Riad devido à situação de segurança. Etihad Airways e Qatar Airways também suspenderam viagens, algumas até segunda-feira (12).
As embaixadas dos Estados Unidos, Reino Unido, Espanha e Alemanha recomendaram que seus cidadãos evitassem o aeroporto. A representação espanhola orientou também a evitar deslocamentos não essenciais, enquanto a Alemanha recomendou que o terminal não fosse utilizado até novo aviso. O Canadá informou que as operações estavam sendo afetadas pela atividade militar na região.
Funcionários do governo dos Estados Unidos que trabalham na Arábia Saudita passaram a precisar de autorização especial para usar o aeroporto. O presidente Donald Trump disse que o governo americano avalia participar dos bombardeios sauditas contra os Houthis: “Talvez. Vamos analisar.”
Escalada do conflito
O ataque de sábado foi o terceiro contra o Aeroporto Internacional Rei Khalid em uma semana. Na quinta-feira (8), uma coluna de fumaça foi vista sobre o local, e um avião comercial da Saudi Arabian Airlines foi gravemente danificado.
Os Houthis advertiram que aeronaves comerciais deveriam evitar o espaço aéreo saudita, definido pelo grupo como zona de operações militares. Após o ataque mais recente, o porta-voz militar do grupo retomou a orientação de que apenas voos humanitários previamente autorizados poderiam pousar em Riad.
A intensificação dos confrontos ocorre desde o início de outubro, quando forças do governo iemenita apoiadas pela Arábia Saudita lançaram uma operação contra os Houthis. Desde então, o grupo ampliou os ataques com mísseis contra o território saudita, enquanto a Arábia Saudita bombardeia posições houthis no Iêmen.
Os rebeldes também apertaram o cerco a Taiz. Autoridades sauditas e iemenitas afirmaram ter retomado o controle do estreito de Bab el-Mandeb, ocupado pelos Houthis no mês passado. Conferências internacionais sobre energia e investimentos previstas para Riad foram mantidas pelos organizadores, apesar das ameaças à segurança.


