A infraestrutura energética e áreas residenciais estiveram entre os alvos de uma ofensiva russa contra a Ucrânia nesta quarta-feira (7). O ataque matou ao menos 19 pessoas e agravou os problemas de fornecimento de energia em diversas regiões do país.
Em Priluki, cidade no norte da Ucrânia situada a cerca de 150 km a leste de Kiev, um míssil atingiu um prédio residencial. Ao menos 13 pessoas morreram, entre elas 3 crianças, e outras 40 ficaram feridas. O presidente Volodimir Zelenski informou que seis mortes ocorreram em Kiev e em outras regiões.
Defesa antiaérea e energia
De acordo com Zelenski, a Rússia lançou 70 mísseis, em sua maioria balísticos, além de 46 drones a jato usados para pressionar as defesas antiaéreas. O presidente afirmou que a taxa de interceptação dos drones subiu de 50% para 80% em comparação com as ações das últimas semanas.
“Um dos alvos principais foi nossa infraestrutura energética”, escreveu Zelenski no Telegram. Os ataques prosseguiram durante a manhã, e apagões foram registrados em várias áreas. Já havia previsão de cortes preventivos, inclusive na capital, mas a situação passou a ser tratada como emergencial.
A Ucrânia não dispõe de mísseis de interceptação em quantidade suficiente para os sistemas Patriot. A Força Aérea estima que seriam necessários pelo menos mais 300 mísseis para proteger Kiev durante a campanha de inverno, prevista para começar no fim de dezembro no Hemisfério Norte.
A Ucrânia fechou recentemente acordos com Polônia, Bélgica e Espanha para receber mais munição de 20 mm destinada aos caças F-16. Também foram instaladas telas antidrone em pontes de Kiev, que passaram a ser consideradas novo alvo russo.
Ataques no mar Negro
Monitores de inteligência militar suspeitam que a Rússia possa atacar usinas termelétricas e ao menos uma hidrelétrica. Zelenski afirmou: “Este é o presente de aniversário dos generais russos para Vladimir Putin”. O presidente russo completou 74 anos nesta quarta-feira e está no poder desde 9 de agosto de 1999.
Na noite de terça (7), um drone aquático atingiu uma embarcação no mar Negro e provocou um incêndio visível a quilômetros de distância. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ligou para Putin nesta quarta-feira e pediu garantias para a livre navegação na região.
A escalada ocorre enquanto a Ucrânia mantém ataques com drones de longa distância e os poucos mísseis de cruzeiro disponíveis. Na semana passada, Kiev usou pela primeira vez um modelo balístico, e Zelenski disse que o país desenvolve uma variante capaz de alcançar Moscou.
Apoio à guerra e tensão nuclear
Pesquisa do centro independente Levada indicou que a queda no apoio à guerra na Rússia foi interrompida. O índice, que havia chegado a 66% em julho, subiu para 70% em setembro. Ainda assim, a maioria dos russos prefere negociações à continuidade do conflito.
O Kremlin também criticou o teste de um míssil nuclear realizado pela França na véspera, com a presença do presidente Emmanuel Macron. O porta-voz russo Dmitri Peskov disse que a ação conduz a “um beco sem saída” e defendeu que os problemas sejam resolvidos pelo diálogo.


