A defesa de Cilia Flores, mulher de Nicolás Maduro, pediu que ela cumpra prisão domiciliar nos Estados Unidos por causa de problemas cardíacos. Ela está detida na mesma penitenciária que o marido, em Nova York, e responde a um processo por tráfico de drogas.
Em documento datado de quarta-feira (9), o advogado Mark Donnelly afirmou que Cilia estava fisicamente saudável antes de ser capturada, em 3 de janeiro, durante uma operação dos Estados Unidos em Caracas. Segundo ele, ela não usava medicamentos de forma contínua, com exceção de uma injeção mensal.
A defesa diz que Cilia passou a tomar quatro medicamentos e precisa ser submetida a um exame das artérias coronárias e a uma intervenção. O advogado argumenta que as condições da prisão não permitem o atendimento necessário.
Como alternativa, Donnelly propôs que ela fique em casa sob vigilância armada 24 horas por dia, com tornozeleira eletrônica e passaporte apreendido.
Processo e trajetória política
Nicolás Maduro e Cilia Flores são acusados de ajudar a traficar cocaína para os Estados Unidos. Os dois negam as acusações. Há uma semana, Maduro pediu a rejeição do processo e invocou sua imunidade como chefe de Estado, alegando que o tribunal de Nova York responsável pelos casos seria incompetente.
Nascida em 1956, Cilia é advogada e figura influente do chavismo. Ela se casou com Maduro em 2013, depois de iniciar um relacionamento com ele nos anos 1990, quando integrou a equipe jurídica de Hugo Chávez.
Cilia ocupou cargos na administração pública, foi eleita deputada em 2000 e reeleita em 2005. Presidiu a Assembleia Nacional de 2006 a 2011, como primeira mulher no cargo, e tornou-se procuradora-geral em 2012. Ela foi alvo de sanções dos Estados Unidos e do Canadá em 2008.
Desde a deposição de Maduro, sua vice, Delcy Rodríguez, governa interinamente a Venezuela. No último dia 30 de agosto, o perfil de Maduro publicou fotografias dele na prisão, acompanhadas de uma mensagem atribuída ao ex-presidente e dirigida a familiares e apoiadores.


