A eleição presidencial no Brasil foi apresentada neste domingo (4) por veículos estrangeiros como uma disputa com efeitos sobre o futuro da América Latina. As análises destacaram a polarização política, a apatia do eleitorado, a crise do Banco Master e a possibilidade de interferência do governo de Donald Trump no processo eleitoral.
O The New York Times avaliou que o resultado pode definir os rumos da região e mencionou o temor de interferência dos Estados Unidos. O jornal também relacionou a crise do Banco Master ao desânimo dos eleitores e afirmou que o caso envolve parte da elite política e do Judiciário, incluindo Flávio Bolsonaro.
Na avaliação do jornal americano, os principais candidatos defendem projetos opostos para a maior democracia da América Latina. Entre os temas de divergência estão o acesso preferencial dos Estados Unidos à exploração de terras raras, a proteção da Amazônia contra o desmatamento e a distância das relações com a China.
A Reuters apontou que uma vitória de Flávio Bolsonaro ampliaria a sequência de triunfos de candidatos de direita alinhados a Donald Trump na América Latina. Uma reeleição de Lula, por outro lado, poderia criar dificuldades para Washington em razão de atritos anteriores com o governo brasileiro nas áreas de comércio e segurança. A agência também citou a crise do Banco Master e a renovação do Congresso.
Polarização e apatia
O El País afirmou que a polarização permanece, embora os protagonistas não sejam os mesmos do último pleito. Lula, aos 80 anos e em busca de um quarto mandato, apresentou a escolha como uma disputa “entre a democracia e a barbárie”, conforme o jornal.
Flávio Bolsonaro, senador de 45 anos, classificou a eleição como uma disputa “do Bem contra o Mal”. O parlamentar foi descrito como herdeiro político do bolsonarismo, investigado por corrupção e apoiado por conservadores e eleitores antipetistas.
A The Economist resumiu a disputa como uma escolha entre um herdeiro político em busca de vingança e um esquerdista fragilizado pela idade. A revista também mencionou a polarização e uma possível estagnação econômica. Apesar do empate nas pesquisas há meses, o El País avaliou que o clima é de apatia e que é improvável, embora possível, uma definição matemática da eleição na noite de domingo.


