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Internacional

Sanções contra facções expõem alcance político do Escudo das Américas

Coalizão liderada pelos Estados Unidos reúne 15 países e exclui Brasil e México, enquanto amplia a cooperação contra grupos criminosos.

Sanções contra facções expõem alcance político do Escudo das Américas
Foto: Reuters

As sanções anunciadas pelos Estados Unidos contra 24 grupos criminosos latino-americanos ampliaram o alcance do Escudo das Américas, uma aliança que reúne 15 países e prevê ações conjuntas de inteligência e segurança. Entre os alvos estão o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), classificados pela Casa Branca como organizações narcoterroristas.

A medida foi apoiada por 14 países nesta terça-feira (22) e inclui restrições migratórias e congelamento de bens. O governo de Donald Trump apresentou a ofensiva como parte da estratégia contra o crime organizado e o tráfico de drogas na região.

Coalizão e ausência do Brasil

O Escudo das Américas é formado por Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Trinidad e Tobago. A iniciativa foi lançada por Trump em março, na Flórida, com a participação de governos alinhados à Casa Branca. Colômbia e Peru aderiram posteriormente, depois da eleição de líderes de direita.

Brasil e México, as duas maiores economias latino-americanas e governados por presidentes de esquerda, não integram a coalizão. Para Sandra Pellegrini, analista do Banco de Dados para Eventos de Conflitos Armados (ACLED), a exclusão dos dois países indica que a iniciativa também está ligada a afinidades políticas e ideológicas, além do combate ao narcotráfico.

Pellegrini afirmou que uma resposta regional continua necessária porque as rotas do tráfico e as redes criminosas atravessam fronteiras. Na avaliação dela, a ausência de países onde operam organizações de grande influência reduz o alcance da iniciativa. Juanita Goebertus, diretora da Divisão das Américas da Human Rights Watch, disse que a estratégia dependerá do fortalecimento consistente da Justiça e da rejeição ao uso ilegal da força.

O Brasil optou por outro formato de cooperação com Washington. Em maio, formalizou um acordo para enfrentar o crime organizado transnacional, com previsão de troca de inteligência em tempo real. A Casa Branca, porém, incluiu o PCC e o CV em sua lista de organizações terroristas, classificação rejeitada pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que considera a medida um possível instrumento de interferência no país.

Segurança e disputa de influência

Em agosto, Pete Hegseth, chefe do Pentágono, disse que os Estados Unidos planejavam ataques por terra contra criminosos na América Latina. Ele mencionou o trabalho com Equador, Colômbia e outros parceiros contra organizações designadas como terroristas e afirmou que esses grupos seriam tratados como alvos onde quer que atuassem.

No discurso à Assembleia Geral da ONU nesta terça (22), Trump defendeu uma atuação mais ampla dos Estados Unidos no hemisfério. O presidente afirmou que usaria “nosso poder militar incomparável para proteger os interesses nacionais vitais dos EUA” caso fosse necessário. Também comparou as organizações criminosas latino-americanas ao Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental e defendeu punições que incluiriam morte, exílio ou prisão sem possibilidade de libertação.

Lula respondeu ao discurso dizendo que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” e alertou os países da região contra tentações hegemônicas. As posições dos dois governos aprofundaram as divergências em torno da política de segurança defendida por Washington.

A aliança também é associada a uma estratégia de política externa inspirada na doutrina Monroe, que estabelecia a primazia dos Estados Unidos sobre as Américas. Trump passou a usar a expressão “doutrina Donroe” para se referir a essa política. Outras iniciativas do governo americano incluem o bombardeio de embarcações supostamente ligadas ao tráfico de drogas, pressão sobre Cuba e o Brasil e maior cooperação com governos latino-americanos.

Florencia Rubiolo, diretora do Insight 21, da Universidade Siglo 21, na Argentina, avaliou que o Escudo das Américas busca reafirmar a influência americana na região e reagir ao avanço econômico e estratégico da China. Pellegrini também considera que a iniciativa ultrapassa o combate ao narcotráfico e envolve alianças políticas, acordos comerciais e a contenção da influência de outras potências.

A declaração de apoio às sanções assinada nesta terça por 14 países inclui compromissos de ampliar a cooperação econômica, proteger cadeias de abastecimento de minerais críticos e criar regulamentações para fornecedores confiáveis de infraestrutura digital. Para Pellegrini, os países participantes podem esperar apoio político, econômico e na área de segurança em troca da cooperação com os Estados Unidos.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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