O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos classificou como tortura a possibilidade de transmitir ao vivo o fuzilamento de Nidal Hasan, condenado pela morte de 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009.
O escritório do órgão afirmou que execuções públicas representam tratamento ou pena cruel, desumano e degradante. A manifestação foi enviada em mensagem sobre a proposta de exibir a execução do ex-militar.
A pena está marcada para 3 de dezembro e deverá ser aplicada por um pelotão de fuzilamento. Ainda não foi definido se haverá espectadores no local ou se o procedimento será transmitido pela internet ou pela televisão.
Apoio de Trump
Donald Trump autorizou pessoalmente a execução nesta semana. A Constituição dos Estados Unidos exige essa autorização para procedimentos contra militares ou ex-militares.
Ao ser questionado pela jornalista Raquel Krähenbühl, da TV Globo, sobre a transmissão ao vivo, Trump respondeu: “Eu aprovo, com certeza”. O presidente acrescentou, porém, que nenhuma decisão havia sido tomada sobre a forma de exibição.
Mais cedo, Trump chamou Hasan de “maníaco” e disse que ele merece morrer por fuzilamento. Em outra declaração, afirmou que o condenado matou e feriu muitas pessoas.
Na quinta-feira (8), o secretário de Guerra, Hegseth, disse que o Exército garantiria ao público a possibilidade de acompanhar a execução. Em entrevista ao canal de TV Real America's Voice, ele afirmou que a exposição serviria para mostrar que crimes desse tipo têm consequências graves nos Estados Unidos.
Questionado sobre um eventual pedido final de Hasan ou sobre contato com o governo Trump, Hegseth respondeu: “Não me importa. Vamos vê-lo em 3 de dezembro”.
Histórico do método
O caso seria o primeiro fuzilamento militar nos Estados Unidos desde 1945. O último ocorreu com o soldado Eddie Slovik, morto na França por deserção durante a Segunda Guerra Mundial.
A última execução de um militar americano ocorreu em 1961. John A. Bennett foi enforcado no Kansas depois de receber condenação por estupro e tentativa de assassinato de uma menina de 11 anos.
O fuzilamento é autorizado em cinco estados: Idaho, Mississippi, Oklahoma, Carolina do Sul e Utah. Em 2025, a Carolina do Sul realizou sua primeira execução pelo método, que não era usado nos Estados Unidos havia 15 anos.
A última execução pública no país havia ocorrido em 1936, no Kentucky. Rainey Bethea, um homem negro condenado por estuprar uma mulher branca, foi enforcado diante de uma multidão.


