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Internacional

EUA anunciam execução pública transmitida ao vivo, 90 anos após último caso de grande repercussão

Plano do Pentágono reacende debate sobre pena de morte e exposição pública da violência nos Estados Unidos.

EUA anunciam execução pública transmitida ao vivo, 90 anos após último caso de grande repercussão
Foto: Getty Images via BBC

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou que os militares pretendem executar publicamente Nidal Hasan, condenado por matar 13 soldados desarmados em 2009, na base militar de Fort Hood, no Texas. O Pentágono informou que o fuzilamento, previsto para dezembro, será transmitido ao vivo.

Hegseth afirmou que a transmissão serviria para mostrar que crimes têm consequências. A possibilidade causou reação entre pesquisadores e especialistas em pena de morte, em um país onde o apoio à punição máxima caiu de 80% em 1994 para 52% atualmente, segundo os dados mencionados no debate.

Michael Radelet, professor emérito da Universidade do Colorado, disse que nunca imaginou que outra execução pública fosse anunciada. Para ele, a transmissão transforma a justificativa da pena de morte em entretenimento. Radelet também observou que o apoio diminui especialmente quando é apresentada a alternativa de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

O precedente de Owensboro

A última execução pública de grande repercussão nos Estados Unidos ocorreu em 14 de agosto de 1936, em Owensboro, no Kentucky. Cerca de 20 mil pessoas acompanharam o enforcamento de Rainey Bethea, um homem negro condenado após supostamente confessar o roubo, o estupro e o assassinato de Lischia Edwards, de 70 anos.

O evento atraiu espectadores, jornalistas e vendedores. A viúva do xerife local, morto quatro meses antes, assumiu a função de executora, mas recusou-se a acionar a alavanca. Carrascos contratados realizaram o enforcamento. O governador do Kentucky proibiu execuções públicas 18 meses depois.

Outro enforcamento, com algumas centenas de pessoas, ocorreu no Missouri em 1937. Foi menos conhecido e marcou a última execução pública nos Estados Unidos até o anúncio envolvendo Hasan.

Sonya Lea, autora de um livro sobre a execução de Bethea, classificou como horrível a possibilidade de uma transmissão alcançar um público muito maior do que as 20 mil pessoas reunidas em Owensboro. Ela descobriu que seus avós estavam na multidão depois da morte da avó, em 2002.

Incerteza na Casa Branca

Kurt Gray, professor de psicologia social da Universidade Estadual de Ohio, afirmou que a polarização política e a retórica nos Estados Unidos podem ter favorecido o anúncio. Para ele, parte da população pode estar dessensibilizada à violência, sem necessariamente comemorar uma execução pública.

Garen Wintemute, diretor do Programa de Pesquisa de Prevenção da Violência da Universidade da Califórnia, Berkeley, disse que pesquisas indicam queda no interesse pela violência no país. Ele também citou a avaliação do presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, que classificou o plano como bárbaro.

O vice-presidente JD Vance demonstrou incerteza sobre a realização da execução e disse que não assistiria à transmissão, caso ela ocorresse. Horas depois, o presidente Donald Trump declarou apoio total ao plano, mas afirmou que o Pentágono ainda tomava uma decisão sobre a transmissão ao vivo. Trump também disse não se importar com a forma da execução, desde que Hasan fosse executado.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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