NOVA YORK — Pessoas continuam sendo filmadas ao entrar e sair de bueiros no sistema subterrâneo de Nova York, sem que a polícia tenha determinado o motivo das incursões. Desde maio, foram relatados quatro episódios desse tipo, além de um quinto grupo registrado em vídeo em Wantagh, em Long Island.
O caso mais recente ocorreu poucas horas antes do amanhecer de uma quarta-feira, no centro de Manhattan. Uma pessoa usando waders pretos saiu de um bueiro na calçada da Sétima Avenida, em frente à Penn Station. Em seguida, outra, equipada com waders e uma lanterna de cabeça, emergiu pelo mesmo ponto. Uma terceira pessoa ficou sobre a abertura para recolocar a tampa, que é pesada.
As imagens, gravadas em 18 de agosto, foram compartilhadas nas redes sociais e provocaram especulações sobre uma possível sociedade subterrânea. Também deram origem a comparações com personagens de desenho animado e videogame, como os Minions, de “Meu Malvado Favorito”, e os irmãos Mario.
Riscos e investigações
Em julho, policiais prenderam dois homens no Brooklyn e os acusaram de invasão de propriedade. De acordo com a polícia, eles estavam mergulhando no esgoto. As autoridades ainda não estabeleceram se os demais grupos buscavam objetos de valor, praticavam exploração urbana ou tinham outro objetivo.
Déja Stewart, porta-voz do Departamento de Proteção Ambiental da cidade, alertou que a prática é perigosa e ilegal, além de ameaçar a segurança da infraestrutura. O sistema subterrâneo reúne gases nocivos, risco de inundação e espaços limitados. “As pessoas nunca devem entrar em um tubo, dreno, bueiro, boca de lobo ou ponto de descarga”, disse Stewart.
Tony Hernandez, policial de trânsito aposentado, afirmou que a maneira como uma das pessoas deixou o bueiro sugeria experiência. “A forma como aquele último cara saiu foi suave demais, definitivamente não era a primeira vez dele”, escreveu ao comentar um vídeo feito perto da Penn Station.
O vereador Phil Wong, que representa partes do Queens, disse que recebeu diversas queixas no último ano sobre tampas ausentes, deslocadas ou danificadas. Segundo ele, os bueiros dão acesso ao esgoto e a redes de utilidades subterrâneas.
Wong relatou ter conversado com trabalhadores de empresas de cabos, que levantaram a possibilidade de que invasores estejam procurando fios de cobre antigos para roubar. Algumas tampas podem pesar mais de 45 quilos. O vereador afirmou que pretende pressionar pela realização de uma audiência sobre maneiras de proteger ou lacrar os acessos.
Experiência dos exploradores
Steve Duncan, que passou duas décadas explorando o subsolo urbano de Nova York, avaliou que os grupos demonstram familiaridade com esse ambiente. Eles usam lanternas de cabeça, sabem remover as tampas e entram à noite, quando há menor chance de serem vistos e o volume de água residual costuma ser baixo.
Duncan também observou que os episódios de maio ocorreram logo após uma tempestade de verão, condição que, segundo ele, pode tornar a exploração mais adequada. “Quando chove, isso tem o efeito de lavar a sujeira”, afirmou. Ele disse ter entrado pela primeira vez em um bueiro de esgoto em 2004, depois de localizar plantas do sistema do século 19.
O explorador rejeitou a hipótese de que os grupos estejam atrás de itens para vender. Em mais de cem incursões, afirmou que encontrou como objeto mais valioso apenas um cartão de crédito vencido. Para ele, comprar lanternas de cabeça e waders e entrar em um bueiro não seria uma forma plausível de ganhar dinheiro em Nova York.
O gabinete de Wong informou ter relatado pelo menos seis bueiros expostos à cidade este mês, dos quais três ainda permaneciam abertos. Em maio, uma mulher de 56 anos morreu depois de sair do carro no centro de Manhattan e cair em um bueiro aberto.
Wong também manifestou preocupação com possíveis danos ou sabotagem da infraestrutura. Ele disse que a cidade teria um problema caso pessoas mal-intencionadas estivessem procurando cabos de cobre ou redes que pudessem ser interrompidas.


