ASSUNÇÃO — Cerca de 200 trabalhadores foram resgatados durante uma operação policial em um call center investigado por suspeita de exploração trabalhista. Um grande número deles era brasileiro, e muitos estavam em situação migratória irregular no Paraguai.
A investigação começou após uma brasileira denunciar o caso ao Ministério das Relações Exteriores do país. O órgão encaminhou a denúncia ao Ministério Público, que abriu uma diligência para apurar possíveis irregularidades na empresa. A mulher teria sido recrutada por plataformas digitais, e o relato levou os investigadores a examinar como os funcionários foram contratados e chegaram ao Paraguai.
A Polícia Nacional paraguaia e o Ministério do Trabalho também verificam as condições oferecidas pela empresa, a situação dos trabalhadores no país e a possibilidade de irregularidades na entrada deles no Paraguai e na formalização dos contratos. Segundo Humberto Aquino, comisário principal da polícia, mais de 40% dos brasileiros encontrados no local estavam em situação migratória irregular. O Ministério do Trabalho informou que eles também não estavam regulares como trabalhadores formais.
Durante a ação, os agentes apreenderam documentos e equipamentos eletrônicos. O material será analisado pelos investigadores. A empresa ocupava diferentes níveis do prédio, com aproximadamente de 50 a 70 pessoas trabalhando em cada espaço, segundo Aquino.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que os brasileiros envolvidos ainda não solicitaram assistência consular. Em nota, o Itamaraty declarou que "foi notificado da operação e acompanha seus desdobramentos, em contato com as autoridades paraguaias".
O caso é investigado como possível tráfico internacional de pessoas. A polícia ainda apura se os trabalhadores foram atraídos por informações falsas e se houve exploração nas atividades desempenhadas no call center.


