BELGRADO — Uma multidão se reuniu nesta segunda-feira (7), em Belgrado, para prestar homenagem a Ratko Mladic, ex-general sérvio condenado por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. A cerimônia, marcada por manifestações de apoio, provocou reação da União Europeia.
Mladic morreu no fim de agosto, aos 84 anos, em Haia, na Holanda, onde cumpria pena. O corpo foi levado para a igreja ortodoxa de São Lucas, na capital da Sérvia, e permaneceu exposto por cinco horas. Depois, seguiu em cortejo até um cemitério.
Simpatizantes começaram a chegar ao local nas primeiras horas da manhã. Entre os presentes estavam veteranos de guerra. A polícia interditou ruas próximas à igreja, que foi cercada por bandeiras sérvias. Durante o ritual, o caixão fechado, ladeado por militares, foi beijado por sérvios enquanto sacerdotes ortodoxos recitavam orações.
Uma faixa estendida sobre a rua dizia: “Bem-vindo, general. Obrigado à sua mãe por ter dado à luz um herói, para que a glória da Grande Sérvia possa retornar”. A aposentada Radojka Visic, que viajou para a cerimônia, afirmou: “Estou aqui para me despedir do general, um herói nacional”.
O caixão, coberto por bandeiras sérvias, havia sido enviado para a Sérvia na quinta-feira em um avião do governo e recebido em Belgrado com honras militares.
Reação europeia
Um porta-voz da União Europeia declarou que a glorificação de criminosos de guerra, negacionistas do genocídio e revisionistas contraria os valores do bloco e não deve ter espaço na UE ou em países candidatos à adesão.
A comissária europeia para a ampliação da UE, Marta Kos, cancelou na sexta-feira uma visita à Sérvia prevista para 9 de setembro. Ela classificou a glorificação em torno da morte de Mladic como incompatível com os valores que fundamentam a União Europeia.
Mladic foi capturado em 26 de maio de 2011, em um vilarejo agrícola ao norte de Belgrado, depois de quase 16 anos foragido. Em 2017, um tribunal internacional o condenou por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.
Guerras dos Bálcãs
Mladic comandou o Exército dos sérvios da Bósnia no início da década de 1990, durante a desintegração da Iugoslávia. Ele foi considerado culpado de genocídio por seu papel no massacre de Srebrenica, em julho de 1995, quando cerca de 8.000 homens e meninos muçulmanos foram mortos por forças servo-bósnias.
Cerca de 100 mil pessoas morreram nas guerras dos Bálcãs, e mais de 2,5 milhões foram deslocadas. O conflito terminou em dezembro de 1995 com os Acordos de Dayton, depois de uma campanha de bombardeios da Otan contra as forças sérvias da Bósnia. Em 1995, o tribunal internacional de Haia havia indiciado Mladic por crimes de guerra e genocídio relacionados ao cerco de Sarajevo e ao massacre de Srebrenica.


