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Internacional

UE propõe status de membro associado ao Canadá e cita Brasil entre possíveis parceiros

A proposta apresentada em Estrasburgo exigirá aprovação unânime dos 27 países da União Europeia e já enfrenta resistências no bloco.

UE propõe status de membro associado ao Canadá e cita Brasil entre possíveis parceiros
Foto: Yves Herman/Reuters

A União Europeia propôs criar um status de membro associado para o Canadá, em uma aproximação que também poderá alcançar Brasil, Indonésia, Japão e Coreia do Sul. A iniciativa foi apresentada nesta quarta-feira (16) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante o discurso anual sobre o Estado da União.

Dirigindo-se ao primeiro-ministro canadense, Mark Carney, que estava na primeira fila, von der Leyen afirmou: "Gostaria de trabalhar com vocês para abrir a porta para que o Canadá seja o primeiro membro associado da União Europeia". O título não existe atualmente em nenhum tratado do bloco.

A proposta tem relação com a defesa de Carney de uma articulação entre potências médias diante da política comercial de Donald Trump. Em discurso realizado em janeiro, o premiê canadense afirmou que negociações bilaterais com uma potência hegemônica ocorrem a partir da fraqueza. O Canadá, assim como a China, adotou tarifas retaliatórias contra os Estados Unidos na guerra comercial, embora dependa do mercado americano para cerca de 75% de suas exportações.

Resistências dentro e fora do bloco

Bernd Lange, presidente da comissão de comércio do Parlamento Europeu, defendeu que a UE procure aproximações semelhantes com outras potências médias. O Reino Unido também aparece nas discussões, enquanto negocia com Bruxelas um novo arranjo após o Brexit. Desde 2025, o país trata de temas como Gibraltar e uma possível entrada no mercado interno europeu de eletricidade.

Qualquer criação formal do novo status precisará da aprovação unânime dos 27 países-membros. A ideia já encontrou oposição no Parlamento Europeu. Nicola Procaccini, do Fratelli d’Italia, partido da primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, acusou von der Leyen de se curvar ao governo canadense. França e Itália estão entre os dez países que ainda não ratificaram o Ceta, acordo de livre-comércio entre a UE e o Canadá assinado em 2016.

Carney evitou defender a adesão plena do Canadá. O artigo 49 do Tratado da União Europeia reserva a filiação a Estados europeus, e o premiê passou a falar em uma aliança própria. Ele também pediu a ratificação do Ceta pelos países que ainda não concluíram o processo.

A proposta provocou reação de Trump. Na noite desta quarta-feira, o presidente americano classificou a iniciativa como "ridícula" e ameaçou impor tarifas ou interromper o comércio com a Europa caso considerasse a aproximação um ato hostil. O porta-voz de comércio da Comissão Europeia, Olof Gill, respondeu nesta quinta-feira que a iniciativa não é dirigida contra ninguém.

Diplomatas em Bruxelas consideram a integração plena do Canadá irrealista. No país, o líder da oposição conservadora, Pierre Poilievre, rejeitou tanto a possibilidade de o Canadá se tornar um estado americano quanto a de integrar a União Europeia.

A cúpula UE-Canadá, marcada para 29 e 30 de outubro, deverá indicar o alcance político da proposta apresentada em Estrasburgo.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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