A CNN, a MS NOW e o Politico terão até sexta-feira (25) para contestar as justificativas apresentadas pelo governo dos Estados Unidos para a proibição de acesso de seus jornalistas à Casa Branca. As explicações foram enviadas na terça-feira (22), conforme documento apresentado pelo Departamento de Justiça ao tribunal.
As cartas mencionam supostos episódios de cobertura jornalística que, segundo o governo, teriam ameaçado a segurança nacional e divulgado informações falsas. Até a última atualização, não estava claro se os episódios foram detalhados nos documentos ou se correspondiam às acusações de divulgação de “fake news” feitas por Donald Trump.
A CNN Internacional informou que uma das justificativas cita uma reportagem sobre os planos de construção de um bunker sob o salão de baile da Ala Leste, que está em obras. O governo afirma que o material revelou detalhes de construção classificados como ultrassecretos. Também foram mencionadas reportagens sobre a guerra no Irã.
Disputa sobre o acesso
Em manifestação ao tribunal, o Departamento de Justiça defendeu que Trump tem autoridade para controlar a entrada de repórteres em áreas presidenciais restritas, incluindo o Salão Oval. A posição foi apresentada um dia antes da audiência convocada por um juiz distrital norte-americano para esta quarta-feira (23).
A restrição começou no sábado, quando os jornalistas dos três veículos foram impedidos de entrar e tiveram suas credenciais confiscadas. CNN, MS NOW e Politico recorreram conjuntamente e pediram a suspensão urgente da medida. As empresas argumentam que o veto viola a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege a liberdade de imprensa.
Trump havia determinado a proibição como punição pela divulgação de informações que considera falsas. Em documento judicial, os veículos afirmaram que a decisão representa uma violação direta dos princípios constitucionais.
O presidente também costuma atacar jornalistas que criticam sua gestão e classificar a imprensa como inimiga do povo. A medida foi adotada em um período de baixa aprovação do presidente e de risco para o Partido Republicano, que pode perder o controle do Congresso nas eleições legislativas de meio de mandato de novembro.


