O consumo de suplementos alimentares aumentou nas últimas décadas nos Estados Unidos, mas os benefícios de muitos produtos continuam sem comprovação consistente. Um estudo que incluiu mais de 63 mil adultos americanos, entrevistados entre 1999 e 2023, registrou avanço no uso, de 51% para 60% dos participantes.
Uma pesquisa do Pew Research Center também indicou que quase 8 em cada 10 adultos tomam pelo menos um suplemento. O levantamento ouviu 3.554 pessoas e mostrou que 1 em cada 3 consumia pós, barras ou bebidas proteicas.
Proteínas e outros produtos
Os suplementos proteicos eram usados por 31% dos entrevistados, com maior frequência entre adultos com menos de 50 anos. O levantamento identificou ainda que o consumo era maior entre mulheres do que entre homens, resultado que surpreendeu Stuart Phillips, professor de cinesiologia da McMaster University, no Canadá.
Segundo Phillips, o aumento entre mulheres pode estar relacionado à maior atenção dada às necessidades de proteína nas redes sociais. Ele também associou parte da popularidade desses produtos ao uso crescente de medicamentos agonistas de GLP-1 e à crença de que proteína adicional ajudaria a evitar a perda de massa muscular relacionada ao emagrecimento.
Vitaminas e minerais foram citados por 67% dos participantes. Outros 25% disseram consumir ômega 3, óleo de peixe ou óleo de krill, enquanto quase 20% relataram o uso de produtos à base de plantas, como ginseng e ashwagandha.
Benefícios e riscos
O cardiologista Eric Topol, fundador do Scripps Research Translational Institute, afirmou que há justificativas para o uso de suplementos em situações como deficiência nutricional ou prevenção de malformações congênitas, mas disse que esses casos representam uma minoria. Para ele, a maioria das pessoas já obtém proteína suficiente dos alimentos.
Ensaios clínicos, em geral, não encontraram os benefícios esperados por consumidores de ômega 3 para a saúde do coração ou do cérebro. Phillips acrescentou que o treinamento de resistência é mais importante do que o consumo de proteína para desenvolver ou manter a massa muscular. Ele também defendeu fontes alimentares, que fornecem outros nutrientes.
O uso de suplementos foi maior entre pessoas com 65 anos ou mais nos dois levantamentos. Pieter Cohen, professor associado de medicina da Harvard Medical School, relacionou o resultado às recomendações médicas para que idosos usem produtos como multivitamínicos, cálcio ou vitamina D, embora as evidências sobre esses benefícios sejam controversas.
As empresas do setor não precisam comprovar que seus produtos são seguros ou eficazes antes de colocá-los à venda, segundo Gretchen Zimmermann, nutricionista registrada e porta-voz da Academy of Nutrition and Dietetics. Ela alertou para possíveis efeitos como toxicidade por doses elevadas de vitaminas ou minerais, danos ao fígado causados por determinados produtos à base de plantas e interações com medicamentos.
A indústria global de suplementos é avaliada em cerca de US$ 228 bilhões, segundo a Grand View Research. O médico Pieter Cohen afirmou que “bem mais de 80%, 90% do consumo de suplementos não oferece nenhum benefício comprovado para a pessoa que os toma”.


