São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Dólar R$ 5,18 · Euro R$ 5,88 · Ibovespa 186.340 +0,00%
Notícia com critério
Internacional

Heidenau interrompe novas placas em memória de vítimas do Holocausto

Conselho Municipal aprovou proposta da AfD e da CDU para concentrar futuras homenagens em um memorial no cemitério da cidade.

Heidenau interrompe novas placas em memória de vítimas do Holocausto
Foto: Andrea Grunau/DW

O Conselho Municipal de Heidenau, no leste da Alemanha, aprovou na quinta-feira (24) a suspensão da instalação de novas placas em homenagem a vítimas do Holocausto. A proposta foi apresentada pela ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD) e pela conservadora União Democrata-Cristã (CDU), partido do chanceler federal Friedrich Merz.

A cidade fica próxima a Dresden, no estado da Saxônia, e tem 16,5 mil habitantes. Pela decisão, futuras homenagens deverão ser concentradas em um memorial situado no cemitério ao norte do município.

Conhecidas como Stolpersteine, as chamadas pedras de tropeço são placas de latão instaladas sobre blocos de concreto nas calçadas, em frente ao último endereço de pessoas perseguidas pelo regime nazista. A proposta aprovada interrompe a colocação de novas peças, que são consideradas parte importante da memória do Holocausto na Alemanha.

A administração municipal havia recomendado que a proibição não fosse adotada. Para o órgão, não seria necessário impedir novas placas para criar um memorial central. Os defensores da medida disseram que parte dos moradores considera inadequado deixar as homenagens no chão, onde podem ser pisadas.

O artista Gunter Demnig, responsável pela criação das Stolpersteine, rejeitou essa justificativa. Ele defende que as placas permaneçam nos locais onde as vítimas viveram, para tornar a história visível às novas gerações. Demnig também relacionou a decisão ao avanço eleitoral da AfD e acusou a CDU de abandonar seus valores.

Reações à decisão

O veto reacendeu a discussão sobre o compromisso da CDU com o chamado cordão sanitário, a prática pela qual os principais partidos alemães rejeitam uma cooperação formal com a AfD. A legenda ultradireitista lidera as pesquisas nacionais, à frente da CDU de Merz.

O embaixador de Israel na Alemanha, Ron Prosor, declarou: “Estou envergonhado”. Ele afirmou que apagar as vítimas do passado significa apagar o próprio passado e defendeu uma barreira contra o antissemitismo vindo da direita, da esquerda ou de círculos islamistas.

A ministra alemã da Educação, Karin Prien, da CDU, classificou a medida como um escândalo. Segundo ela, transferir os memoriais da vida judaica para cemitérios torna os judeus invisíveis novamente. Prien também disse que a CDU na Saxônia tem responsabilidade sobre o episódio.

Charlotte Knobloch, líder de uma associação judaica na Baviera, criticou o apoio da CDU à proposta. O Comitê Internacional de Auschwitz também se manifestou antes da votação. Para o vice-presidente da entidade, Christoph Heubner, a medida retiraria novamente as vítimas nazistas de Heidenau do espaço urbano.

A prefeita Conny Oertel, que não tem partido, era contrária à moção e pediu sua rejeição. Ela afirmou, porém, que o Conselho Municipal continuava apoiando a homenagem às vítimas do nazismo e que a divergência dizia respeito apenas ao formato.

Pressão sobre a CDU

O episódio ocorre após perdas eleitorais da CDU em disputas regionais na Saxônia-Anhalt, em Berlim e em Mecklemburgo Pomerânia-Ocidental. Neste último estado, o partido não alcançou a cláusula de barreira de 5% e ficou, pela primeira vez desde a Reunificação Alemã, sem deputados estaduais.

Em Berlim, a CDU terminou em segundo lugar, atrás de A Esquerda, e conservadores tentam formar uma coalizão com o Partido Social-Democrata (SPD) e os Verdes para permanecer na prefeitura. Os conservadores acusam A Esquerda de tolerar antissemitismo em suas fileiras.

A discussão ganhou força após a presença, na festa de vitória de A Esquerda em Berlim, de um ativista antissemita e de Issa Remmo, apontado como chefe do chamado clã Remmo. O deputado Ferat Kocak foi fotografado ao lado de Ibrahim Ibrahim, descrito como apoiador de militantes palestinos armados. Kocak disse que havia tirado centenas de fotos com apoiadores e que o evento era aberto ao público.

A copresidente de A Esquerda, Ines Schwerdtner, afirmou que não havia lista de convidados e que as pessoas foram retiradas assim que identificadas. Elif Eralp, candidata à prefeitura de Berlim, condenou a celebração da violência e do terrorismo e disse que trabalharia para garantir a segurança de judeus, muçulmanos, pessoas LGBTQIA+ e demais moradores.

As acusações podem dificultar a formação de uma coalizão na capital. Bärbel Bas, copresidente nacional do SPD, afirmou que seria muito difícil trabalhar com uma legenda na qual grande parte dos integrantes agisse de forma antissemita.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.