A proposta do Pentágono de transmitir ao vivo o fuzilamento de Nidal Malik Hasan recebeu críticas do Vaticano e de representantes da Igreja Católica nos Estados Unidos. O ex-major do Exército americano foi condenado pela morte de 13 pessoas no ataque à base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009.
Hasan também feriu outras 32 pessoas. Condenado à morte em 2013, ele tem execução marcada para 3 de dezembro, na mesma base onde ocorreu o ataque. Se for realizada, será a primeira execução promovida pelas Forças Armadas americanas desde 1961. O último fuzilamento militar ocorreu em 1945.
Na sexta-feira (9), o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, criticou diretamente a ideia de transformar a execução em uma transmissão pública. "Certamente, não é aceitável que se transforme a morte em espetáculo. Por mais que, naturalmente, a pessoa seja culpada, existem outros meios", declarou.
Parolin reiterou que a Igreja Católica considera a pena capital incompatível com a dignidade humana e afirmou que a execução de condenados não funciona como instrumento de prevenção de crimes. Nos Estados Unidos, o arcebispo Paul Coakley, presidente da Conferência dos Bispos Católicos americanos, disse ter recebido o anúncio com choque e profunda tristeza.
Em comunicado, Coakley afirmou que a gravidade dos crimes atribuídos a Hasan não justificava transformar sua morte em uma transmissão pública. Ele pediu que a proposta fosse reconsiderada e classificou a iniciativa como uma promoção da cultura da morte.
Manifestação de Leão XIV
Leão XIV abordou o tema neste sábado (10), nas redes sociais, durante o Dia Mundial contra a Pena de Morte. Sem citar diretamente o governo americano, o papa afirmou que a sociedade pode ser protegida e a Justiça aplicada sem a execução de condenados.
Em uma publicação no X, ele defendeu que o sistema prisional pode proteger a população e preservar a possibilidade de redenção dos presos. A mensagem foi acompanhada da hashtag #NoDeathPenalty, traduzida como Sem Pena de Morte.
A posição segue a mudança formalizada por Francisco em 2018. Desde então, a Igreja Católica considera a pena de morte inadmissível em qualquer circunstância. Antes, o Catecismo admitia a execução quando ela fosse o único meio disponível para proteger vidas humanas de um agressor.
A revisão passou a definir a pena capital como um ataque à inviolabilidade e à dignidade da pessoa, independentemente da gravidade do crime. A oposição havia sido reforçada durante o pontificado de João Paulo II, que defendia o fim das execuções e a preservação da dignidade dos condenados.
Leão XIV também tem visitado estabelecimentos prisionais. Em abril, durante uma passagem pela prisão de Bata, na Guiné Equatorial, disse aos detentos que não seriam abandonados por Deus e que a Igreja permaneceria ao lado deles. Uma visita a uma prisão de Buenos Aires está prevista para sua próxima viagem à América Latina.

