MIAMI — A juíza federal Lauren Louis determinou nesta quarta-feira (9) que Andrew Tate e Tristan Tate permaneçam presos nos Estados Unidos enquanto contestam o pedido de extradição para o Reino Unido. Os irmãos são acusados de estupro e tráfico sexual e negam as acusações.
A magistrada concluiu que os dois representam risco de fuga. Em uma decisão de 30 páginas, afirmou que eles têm capacidade excepcional de deixar a jurisdição, não mantêm vínculos com Miami e possuem familiares no exterior, principalmente em Dubai e na Romênia.
Processo de extradição
O tribunal de Miami ainda não definiu a data da audiência de extradição. O governo britânico tem até 16 de setembro para entregar às autoridades americanas os documentos relacionados às acusações contra os irmãos.
Agentes federais prenderam Andrew e Tristan Tate em 18 de julho, do lado de fora de um evento de boxe sem luvas no centro de Miami. Os dois têm cidadania britânica e americana e afirmam que precisam ser libertados para auxiliar seus advogados na contestação do processo.
Em comunicado divulgado na quarta-feira, os irmãos declararam inocência. Um porta-voz disse que eles estão detidos a milhares de quilômetros da Romênia enquanto os processos no país continuam e que os prazos judiciais se aproximam.
Os Tate enfrentam problemas jurídicos na Romênia desde que foram presos no país, em 2022. No início deste mês, promotores romenos anunciaram uma nova denúncia em uma investigação iniciada no fim de 2024.
Acusações no Reino Unido e na Romênia
Segundo os promotores romenos, Andrew Tate aliciou uma menina de 15 anos em 2012, hospedou-a no Reino Unido e na Romênia e obteve recursos com conteúdo pornográfico transmitido por webcam. Tristan Tate é acusado de cumplicidade em tráfico sexual. As autoridades afirmam que os irmãos ganharam mais de US$ 1,2 milhão com a exploração da adolescente.
Andrew Tate também é acusado de manter relações sexuais com outra adolescente de 15 anos. Em 2024, autoridades britânicas acusaram os irmãos de estupro, agressão e tráfico de pessoas. Um tribunal romeno autorizou a extradição para o Reino Unido, mas somente depois do encerramento dos processos na Romênia.
No Reino Unido, as acusações envolvem sete vítimas. Em documento apresentado ao tribunal americano, o governo descreveu alegações de que os irmãos estrangulavam mulheres antes de estuprá-las.
Os promotores americanos também citaram os passaportes, os recursos financeiros e a suposta posse de jatos particulares, iates e carros esportivos como fatores que poderiam facilitar uma fuga. Abbie Waxman, uma das promotoras, disse que Andrew Tate tinha "acesso irrestrito a viagens e recursos financeiros", incluindo criptomoedas.
Os advogados dos irmãos classificaram o processo como político e as condições de detenção como desumanas. Eles também argumentaram que a notoriedade dos Tate dificultaria uma saída sem serem reconhecidos. Em 2025, promotores romenos permitiram que os irmãos viajassem ao exterior, após terem afirmado anteriormente que eles representavam perigo à sociedade e risco de fuga.


