A experiência de Leão XIV com uma doença grave remonta a 1985, quando o então jovem padre missionário contraiu febre tifoide pouco depois de chegar a Chulucanas, no Peru. O episódio foi descrito pelo pontífice como um momento decisivo em sua trajetória religiosa.
Em entrevista concedida a Elise Ann Allen em 2025 para a biografia “Papa Leão XIV: A Biografia”, o papa relatou que pediu a Deus para morrer em vez de continuar suportando a dor provocada pela febre. “Eu estava no soro e disse: ‘Se esse é o seu senso de humor, Senhor, acho que poderia fazer um pouco melhor.’”
Leão afirmou que se recuperou e passou a interpretar a doença como uma ocasião para compreender melhor as necessidades da comunidade em que estava. “Obviamente, sobrevivi; me recuperei, mas acabou sendo um momento muito significativo para mim”, disse.
Diagnóstico e cirurgia
O Vaticano informou nesta terça-feira (13) que o pontífice recebeu o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, um tipo de câncer no pulmão. Durante o procedimento, foi retirada a parte inferior do pulmão direito, onde estava o tumor.
A cirurgia levou cerca de 90 minutos, foi concluída sem complicações e exigiu anestesia geral. Leão XIV acordou normalmente e voltou ao quarto do hospital, onde permanece em recuperação. Acredita-se que esta seja a segunda internação do pontífice, que tem 71 anos e é conhecido por jogar tênis semanalmente e nadar.
O boletim médico mencionou a remoção “radical” do lobo, indicando que todo o tecido suspeito foi retirado. Os linfonodos também teriam sido removidos e analisados para verificar se o câncer havia se espalhado, mas os resultados ainda não foram divulgados. Uma biópsia foi realizada na lesão depois da retirada.
O Vaticano ainda não informou quais serão as próximas etapas. Os médicos aguardam outros exames e, por enquanto, não mencionam quimioterapia ou outras terapias.

