Os líderes partidários da Escócia, do País de Gales e da Irlanda do Norte defenderam nesta segunda-feira (14) o direito de seus territórios à autodeterminação e afirmaram que seu futuro está na União Europeia. A declaração foi divulgada após uma reunião em Cardiff, no País de Gales.
John Swinney, primeiro-ministro escocês, Rhun ap Iorwerth, líder galês, e Michelle O’Neill, da Irlanda do Norte, participaram do encontro como dirigentes de seus partidos, e não como representantes de seus respectivos governos. O documento foi assinado por representantes do PNE (Partido Nacional Escocês), do Plaid Cymru e do Sinn Féin.
Os três partidos defendem a separação do Reino Unido, embora tenham posições diferentes sobre o momento e o processo para que isso ocorra. “Nossas nações têm direito à autodeterminação”, afirmaram os líderes, que também disseram acreditar que mudanças constitucionais estão por vir.
Eles anunciaram a intenção de ampliar a cooperação entre as legendas e identificar áreas em que uma atuação conjunta possa produzir resultados. Rhun ap Iorwerth afirmou que o cronograma deve ser definido pela população do País de Gales, mas disse que a percepção de que Westminster não funciona está crescendo.
A declaração ocorre poucos dias depois de Donald Trump afirmar que apoiaria uma Irlanda unificada. O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, rejeitou a possibilidade de uma votação na Irlanda do Norte. O governo britânico defende os acordos da Sexta-feira Santa, assinados em 1998 para encerrar os confrontos na região. Pelo pacto, um referendo pode ser convocado se houver indicação de que a maioria dos habitantes apoia a unificação.
Independência e descentralização
Em 2014, um referendo na Escócia terminou com 55% dos eleitores contrários à independência. Desde então, governos britânicos sucessivos descartaram a realização imediata de uma nova consulta.
Os partidos independentistas são hoje os maiores nos Parlamentos escocês e galês, pela primeira vez desde o início da descentralização de poderes, em 1999. Na Irlanda do Norte, o Sinn Féin ocupa a posição de maior partido da Assembleia desde 2022.
Os parlamentos regionais têm atribuições em áreas como saúde, educação, habitação, transporte e meio ambiente, além de algumas competências tributárias. Burnham assumiu o cargo em julho e indicou a ampliação da descentralização como uma de suas prioridades. Desde o referendo do Brexit, em 2016, o Reino Unido teve sete mudanças de primeiro-ministro.

