BRASÍLIA — O presidente Lula deve usar sua passagem por Nova York para tratar de temas que envolvem a relação do Brasil com os Estados Unidos, além de defender o multilateralismo e a cooperação internacional. A agenda ocorre às vésperas do primeiro turno das eleições e inclui seu discurso na 81ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, na próxima terça-feira (22).
A fala deve mencionar a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho como organizações terroristas pela Casa Branca. Lula discorda da decisão, que foi apoiada e comemorada por Flávio Bolsonaro. O secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Itamaraty, embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, afirmou que o tema das facções deve aparecer como parte de uma apresentação das medidas adotadas pelo Brasil na área de segurança pública.
“Nesses últimos anos, foi assinada uma série de acordos bilaterais para ampliar a cooperação nessa área”, disse Cozendey. Ele citou operações conjuntas com países vizinhos e a troca de informações com os EUA para responsabilizar organizações criminosas.
Relação com os Estados Unidos
O governo brasileiro também enfrenta a aplicação de tarifas americanas que chegam a 37,5% desde julho. Uma taxa é de 25%, atribuída a supostas práticas comerciais desleais, e outra é de 12,5%, relacionada a supostas falhas no combate à importação de produtos feitos com trabalho forçado. Essa última substituiu a tarifa global de 10%.
Lula já havia defendido o sistema eleitoral brasileiro em uma conversa telefônica com Donald Trump no fim de agosto. Não há expectativa de uma reunião formal entre os dois em Nova York, segundo Cozendey. O embaixador afirmou, porém, que eles podem se encontrar brevemente nos bastidores, como ocorreu no último ano.
Lula chegará à cidade no domingo (20) e deixará Nova York na terça-feira (22). A segunda (21) deve ser destinada a reuniões bilaterais. Também existe a possibilidade de um encontro, a pedido do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, mas o compromisso ainda é avaliado pelo lado brasileiro.
O presidente ainda se reunirá com o secretário-geral da ONU, António Guterres. Eles devem discutir a Iniciativa ONU80, o plano de reforma da organização, e o Conselho de Segurança. Outras reuniões continuam em negociação.
Cozendey afirmou que o discurso é definido pela Presidência e pode mudar até o último momento. A expectativa é que Lula também defenda negociações de paz, o direito internacional humanitário e iniciativas apoiadas pelo Brasil, como a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, criada durante a presidência brasileira do G20.

