Jason Miller, ex-assessor de Donald Trump, compartilhou na noite de domingo (13) uma imagem criada por inteligência artificial que mostra Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), usando uma tornozeleira eletrônica.
A montagem retrata Moraes sentado em uma escadaria que simula a fachada do STF. Miller publicou a imagem ao reproduzir um trecho de uma reportagem do Financial Times sobre a crise na Corte relacionada ao Banco Master.
O trecho compartilhado afirma que o caso transformou Moraes em um dos principais focos do escândalo de corrupção associado ao colapso, no ano passado, da instituição financeira de US$ 10 bilhões. A publicação não apresenta a imagem como um registro real.
Miller foi assessor de Trump durante o primeiro mandato do presidente dos Estados Unidos e participou da equipe de transição depois da vitória eleitoral. Ele continua próximo do presidente.
Em 2021, após viajar a Brasília para visitar o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Miller foi levado por policiais a uma sala da Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Brasília. O norte-americano prestou depoimento no Inquérito das Fake News, conduzido por Moraes naquele período.
Crise no Supremo
A crise no STF se intensificou no início de setembro, quando André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal elaborado nas investigações sobre o Banco Master. O documento revelou mensagens e contatos entre Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, e Moraes.
As apurações também mostraram relações de Vorcaro com outros ministros e negócios envolvendo familiares de integrantes da Corte. A divulgação ampliou os questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse e provocou um confronto público entre os ministros. Moraes pediu a investigação de Mendonça por suposto abuso de autoridade.
Decisões divergentes aumentaram a tensão. Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal, mas Flávio Dino decidiu reintegrá-lo. Diante da divisão interna, Fachin cancelou sessões plenárias para evitar um encontro público entre os ministros.
Fachin passou então a concentrar as decisões relacionadas ao caso. O presidente do STF suspendeu medidas conflitantes, manteve Rodrigues no comando da PF, retirou Moraes da relatoria do Inquérito das Fake News e estabeleceu que procedimentos sobre investigações contra ministros sejam submetidos previamente à Presidência do tribunal.
O plenário foi convocado para terça-feira (15) para analisar o relatório da Polícia Federal e o pedido da Procuradoria-Geral da República para anulá-lo. Uma sessão sobre a conduta de Mendonça foi marcada para 23 de setembro.


