SÃO PAULO — A morte do jornalista Márcio Chaer mobilizou neste sábado (3/10) autoridades do Executivo, integrantes de tribunais, entidades jurídicas, acadêmicos, advogados e colegas de imprensa. Chaer morreu no início da tarde, aos 71 anos, após sofrer um mal súbito durante um assalto na capital paulista.
Fundador da revista eletrônica Consultor Jurídico, o jornalista havia trabalhado em grandes veículos de imprensa antes de criar a publicação, em 1997. O ConJur se tornou referência nacional na cobertura especializada do Poder Judiciário e no debate sobre Direito e Justiça.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Chaer foi pioneiro ao criar um site dedicado ao jornalismo jurídico e destacou sua defesa do Estado Democrático de Direito. Em sua manifestação, também mencionou o espaço dado pelo jornalista a críticas sobre abusos e violações durante o período da Lava Jato.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, disse que o jornalista deixa um legado para a cobertura especializada do Judiciário. Fachin também ressaltou o papel do ConJur na aproximação entre o Direito e a sociedade e citou o Anuário da Justiça, lançado na sede do STF e produzido desde 2007.
O Superior Tribunal de Justiça e o Conselho da Justiça Federal divulgaram condolências por meio do presidente do STJ, ministro Luís Felipe Salomão. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que Chaer valorizou e profissionalizou a cobertura jornalística do Judiciário. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também prestou homenagem.
O ministro Cristiano Zanin afirmou que a trajetória de Chaer se confunde com a história do Judiciário brasileiro. Já os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli destacaram, respectivamente, a defesa do Estado Democrático de Direito e a criação de um espaço especializado para a cobertura do sistema de Justiça.
O Ministério Público Federal reconheceu a contribuição do jornalista para a informação qualificada, o pluralismo e a compreensão, pela sociedade, do funcionamento das instituições. A Ordem dos Advogados do Brasil, o Instituto dos Advogados de São Paulo, a OAB-SP, o Instituto dos Advogados Brasileiros e a Associação Nacional dos Desembargadores também divulgaram manifestações de pesar.
Para o presidente do Conselho Federal da OAB, Beto Simonetti, “o Brasil perde uma voz relevante e respeitada”. As entidades jurídicas ressaltaram que o trabalho de Chaer ampliou o espaço da cobertura da Justiça, da advocacia e das instituições brasileiras.
Entre os integrantes da comunidade jurídica que se manifestaram estão os ministros aposentados Celso de Mello e Luís Roberto Barroso, além de professores, desembargadores, procuradores e advogados. Celso de Mello lembrou a amizade iniciada em 1985 e afirmou que as publicações de Chaer ajudaram a tornar mais compreensível a atuação dos tribunais. Barroso chamou o ConJur de espaço pioneiro para informações sobre doutrina, jurisprudência e atualidades do Direito.
As homenagens também destacaram o Anuário da Justiça e o papel de Chaer na formação de jornalistas e na ampliação do debate público sobre o sistema de Justiça. A comunidade jurídica prestou solidariedade aos familiares, amigos, colegas e à equipe do Consultor Jurídico.


