O comitê norueguês do Nobel anunciou nesta sexta-feira (9) que Navanethem “Navi” Pillay é a vencedora do Nobel da Paz de 2026. A jurista sul-africana, de origem indiana, foi reconhecida por seus esforços em favor da paz e do direito internacional.
Pillay foi juíza do Tribunal Penal Internacional e Alta Comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos. O comitê afirmou que ela responsabilizou Estados e líderes nacionais por suas ações, levou esperança a vítimas de violência e conflitos e manteve uma orientação moral ao longo da carreira.
A premiação ocorre após a atuação de uma comissão da ONU liderada por Pillay na investigação da guerra na Faixa de Gaza. No ano passado, o grupo concluiu que Israel havia cometido genocídio contra os palestinos. O relatório também acusou Israel e o Hamas de crimes de guerra e apontou autoridades israelenses de alto escalão, incluindo o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, por incitar atos destinados a “destruir os palestinos” que vivem no território.
Israel, que não cooperou com a investigação, rejeitou o documento e classificou as acusações como falsas. Tel Aviv também condenou o relatório. A comissão examinou o ataque terrorista do 7 de Outubro, que deu início à guerra, a retaliação israelense na Faixa de Gaza e as ações na Cisjordânia ocupada.
O comitê do Nobel declarou que não toma posição sobre a caracterização da campanha militar israelense em Gaza como genocídio. Na justificativa do prêmio, destacou a importância de preservar uma ordem internacional organizada e afirmou que o sistema de direito internacional está sob forte pressão.
Nascida em 23 de setembro de 1941, Pillay abriu seu próprio escritório de advocacia em 1967. Durante o apartheid, defendeu ativistas de organizações como o Movimento da Consciência Negra e o próprio marido, preso sob a Lei de Terrorismo.
Depois do fim do apartheid, foi juíza do Tribunal Penal Internacional para Ruanda entre 1995-2003 e presidiu a corte nos últimos quatro anos. Ela participou do julgamento de Jean-Paul Akayesu, que estabeleceu que estupro e violência sexual podem constituir atos de genocídio.
Na África do Sul, Pillay ajudou a incluir na Constituição uma cláusula de igualdade que proíbe discriminação por raça, gênero, religião e orientação sexual. Também cofundou a Equality Now, organização internacional voltada aos direitos das mulheres.
O comitê informou que 287 candidatos foram indicados ao prêmio neste ano: 208 indivíduos e 79 organizações. Os nomes dos candidatos e de quem os indicou permanecem em sigilo por 50 anos.


