A jurista sul-africana Navi Pillay mencionou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao reagir nesta sexta-feira (9) à notícia de que havia vencido o Prêmio Nobel da Paz. A declaração ocorreu enquanto colegas a aplaudiam. Em tom irônico, ela disse que poderia dividir o prêmio com o presidente americano.
A fala ocorreu em um contexto de críticas de Trump a instituições internacionais nas quais Pillay atuou. Ela integrou o Tribunal Penal Internacional (TPI), foi chefe de Direitos Humanos da ONU e participou como juíza dos casos de genocídio em Ruanda.
Atualmente, Pillay é juíza da Corte Internacional de Justiça no processo em que Mianmar é acusado de genocídio contra a minoria rohingya. A perseguição e a violência contra esse grupo levaram centenas de milhares de pessoas a fugir do país em 2017.
Relação com instituições internacionais
O TPI mantém mandados de prisão contra o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e o presidente russo, Vladimir Putin. A corte é criticada pelo governo Trump, que rejeita a possibilidade de cidadãos americanos serem processados por um tribunal fora dos Estados Unidos.
Em julho, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciou medidas contra o tribunal. O governo dos Estados Unidos afirmou que a instituição era “uma ameaça intolerável à soberania americana” e que estava “travando uma guerra” contra o país. Tomoko Akane, atual presidente do TPI, é alvo de sanções de Washington.
No ano passado, primeiro ano de seu segundo mandato, Trump fez campanha pública para pressionar o Comitê Norueguês do Nobel a conceder-lhe o prêmio. O presidente afirma que “parou oito guerras”. Entre os episódios incluídos nessa afirmação estão a guerra entre Israel e Hamas, em trégua frágil; a disputa entre Armênia e Azerbaijão, que já caminhava para uma solução negociada; e a situação entre Sérvia e Kosovo, que não era um conflito ativo havia anos.
Desde que voltou à Casa Branca, Trump também passou a atacar a ONU e agências da organização. O texto cita a retirada dos Estados Unidos da OMS e da Unesco, além do desmonte do aparato americano de ajuda externa, associado ao encerramento da Usaid.
Na política internacional, o presidente americano ainda criou, em Gaza, o Conselho de Paz, formado em sua maioria por países árabes e muçulmanos. O grupo obteve um cessar-fogo, mas o conflito continuou, com mais de 1.400 palestinos mortos desde então por ataques. Forças de Israel permanecem no território, e o Hamas continua armado.


