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Internacional

ONU atua além das guerras e mantém canais de negociação entre países

Mesmo com o veto no Conselho de Segurança, a organização coordena ajuda humanitária, missões de paz, saúde e negociações internacionais.

ONU atua além das guerras e mantém canais de negociação entre países
Foto: REUTERS/Mike Segar

A atuação da ONU vai além da tentativa de impedir guerras. Agências e programas ligados à organização trabalham com segurança alimentar, assistência humanitária, saúde, refugiados, crianças, desenvolvimento e direitos humanos em dezenas de países. Em áreas atingidas por crises ou conflitos armados, esse atendimento muitas vezes é a única assistência disponível. Atualmente, a ONU mantém 11 operações de manutenção da paz ativas em diferentes regiões do mundo.

A organização também participa de serviços presentes no cotidiano. No Brasil, o governo mantém uma parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), integrante do sistema das Nações Unidas, para adquirir vacinas.

O limite das decisões sobre conflitos

A dificuldade de impedir ou interromper guerras está ligada ao Conselho de Segurança, órgão responsável por questões de paz e segurança internacional dentro da ONU. O colegiado tem 15 integrantes. Dez são escolhidos pela Assembleia Geral para mandatos de dois anos, enquanto Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido ocupam vagas permanentes.

Os cinco membros permanentes podem exercer o poder de veto. Assim, qualquer um deles consegue bloquear uma resolução sobre segurança, ainda que os demais integrantes apoiem a medida.

Para Uriã Fancelli, mestre em Relações Internacionais pelas universidades de Estrasburgo e Groningen, essa estrutura ajuda a explicar a dificuldade do Conselho para prevenir guerras. A ONU foi criada em 1945, após a Segunda Guerra Mundial, em substituição à Liga das Nações, que fracassou na tentativa de evitar novos conflitos.

As grandes potências que participaram da criação da organização só teriam aceitado integrar um novo sistema internacional com mais poder dentro dele, segundo Fancelli. Essa negociação resultou no veto. “Só que é justamente esse poder que trava o Conselho, porque cada um usa o veto para proteger seus próprios interesses”, afirmou.

A Carta das Nações Unidas proíbe, como regra, o uso da força contra outro país, mas prevê exceções, como a legítima defesa. O Conselho também pode autorizar operações militares. Nem sempre, porém, existe uma decisão nesse sentido.

Em 2003, os Estados Unidos invadiram o Iraque sem autorização específica do Conselho. Em 2022, a Rússia invadiu a Ucrânia. Os dois países são membros permanentes e têm poder de veto.

Um espaço de negociação

Apesar dessas limitações, Fancelli afirma que a ONU continua relevante para a diplomacia e a busca de soluções para conflitos. A organização reúne 193 países no mesmo espaço, onde também ocorrem encontros bilaterais.

Ao citar uma frase atribuída a Dag Hammarskjöld, segundo secretário-geral das Nações Unidas, em discurso na década de 1950, Fancelli resumiu: “A ONU nunca foi criada para nos levar ao paraíso. Ela foi criada para nos salvar do inferno”

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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