NOVA YORK — Os Estados Unidos reduziram no último dia 16 uma dívida com a Organização das Nações Unidas por meio de um pagamento de US$ 725 milhões, mas ainda devem mais de US$ 1 bilhão à instituição. O governo de Donald Trump está entre os principais críticos da ONU, que reúne chefes de Estado para a Assembleia-Geral com suas contas e mecanismos de decisão sob pressão.
Os discursos dos líderes começam na próxima terça-feira (22). O encontro ocorre enquanto a organização tenta responder à queda de contribuições e ao aumento dos conflitos internacionais. No início deste ano, sua direção anunciou um "iminente colapso financeiro".
Menos recursos para programas
Desde o ano passado, mais países atrasaram contribuições obrigatórias e diminuíram repasses voluntários destinados a ações humanitárias em países específicos. Com isso, agências da ONU transferiram verbas entre si, reduziram atividades ou encerraram programas. O impacto atingiu os beneficiários do atendimento.
O programa de resposta ao HIV registrou uma queda de 23% na ajuda mundial em 2025. A testagem foi reduzida em 22%, enquanto a distribuição de camisinhas caiu mais de 90%.
As missões de paz também foram reduzidas, assim como o apoio humanitário a populações afetadas por guerras. No Sudão, em guerra civil há mais de três anos, a ONU informou há poucos dias que a assistência pode colapsar nas próximas semanas por falta de financiamento.
Conselho de Segurança sob bloqueio
A organização não apresentou mediações importantes para conflitos de grande escala, como os da Ucrânia e do Oriente Médio. A cobrança recai também sobre António Guterres, que está nos meses finais de seu mandato como secretário-geral.
No Conselho de Segurança, sucessivas votações foram impedidas pelo poder de veto dos membros permanentes. Entre eles estão a Rússia, envolvida na guerra na Ucrânia, e os Estados Unidos, que participam do conflito no Oriente Médio, seja na guerra iniciada no Irã, seja pelo apoio a Israel na guerra em Gaza.
A reforma do órgão é defendida há anos pelo Brasil e também por Guterres. A proposta inclui ampliar o número de países com poder de veto e diversificar sua composição para incorporar potências emergentes, em vez de manter apenas a estrutura associada à ordem dos anos 1940.
Pressão por mudanças
Guterres lançou no ano passado o ONU80, processo que prevê reforma e corte de gastos para tornar a organização mais eficiente. A iniciativa ainda está em andamento, enquanto diplomatas e especialistas avaliam que a necessidade de mudança é maior.
Os problemas devem aparecer nos discursos dos chefes de Estado. O presidente Lula será o primeiro a falar, como ocorre tradicionalmente com o Brasil, e Donald Trump virá em seguida. A disposição desses líderes para mudar a organização, porém, permanece em aberto.

