A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet anunciou neste sábado (19) que não continuará na disputa pela Secretaria-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Ela era apoiada pelo Brasil e pelo México, mas sua candidatura teve desempenho fraco nas consultas realizadas pelo Conselho de Segurança.
Na rodada mais recente, em que os 15 integrantes do órgão votam de forma secreta, Bachelet recebeu somente um apoio e três votos sem opinião. Os outros 11 votos foram classificados como desencorajamentos à campanha.
Pelas regras da ONU, o Conselho de Segurança precisa aprovar um candidato sem veto dos cinco membros permanentes — Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China — antes de enviar o nome para aprovação da Assembleia-Geral.
Razões apresentadas
Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, Bachelet afirmou que decidiu abandonar a disputa mesmo considerando necessário defender princípios como o multilateralismo, o direito internacional, o combate às mudanças climáticas, a democracia e os direitos humanos.
“Não me arrependo de ter assumido esse grande desafio”, disse a ex-presidente.
Pessoas que acompanhavam o processo avaliavam que a candidatura poderia enfrentar resistência dos Estados Unidos, em razão do governo de Donald Trump, e da China. O país asiático poderia se opor por causa de um relatório produzido por Bachelet sobre graves violações de direitos humanos contra os uigures, minoria muçulmana em território chinês.
Bachelet também afirmou que sua campanha ajudou a levar ao debate a ideia de que a próxima secretária-geral deve ser uma mulher da América Latina, independente e comprometida com os princípios da Carta da ONU. Ela agradeceu especialmente aos presidentes do Brasil, Ignacio Lula da Silva, e do México, Claudia Sheinbaum, pelo apoio desde o início.
Duas mulheres lideram a disputa: Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica e chefe da Conferência sobre Comércio e Desenvolvimento da ONU; e Carolyn Rodrigues Birkett, representante da Guiana na organização. Bachelet declarou que continuará atuando no desafio internacional e na defesa da paz, da segurança, do desenvolvimento sustentável e dos direitos humanos.

