A escolha do próximo secretário-geral da ONU continua sem definição após a terceira consulta secreta realizada nesta sexta-feira (18) entre os 15 integrantes do Conselho de Segurança. Rebeca Grynspan, da Costa Rica, e Carolyn Rodrigues Birkett, da Guiana, aparecem como as candidatas mais bem colocadas, mas o resultado não permite identificar quais países apoiaram ou rejeitaram cada nome.
As consultas reúnem os membros permanentes e não permanentes do Conselho, porém não associam os votos a países específicos. Com isso, permanece incerto quais candidatos já enfrentam a oposição de Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido ou França, os cinco membros permanentes cujo apoio é necessário para a escolha.
Desempenho de Michelle Bachelet
Michelle Bachelet, candidata apoiada pelo Brasil e pelo México de Claudia Sheinbaum, teve o pior resultado entre suas três participações. A ex-presidente do Chile e ex-chefe da ONU Mulheres recebeu somente um apoio, três votos sem opinião e 11 desencorajamentos. O resultado indica que pelo menos um membro permanente se opõe à candidatura.
Em um debate realizado no mês passado em uma universidade chilena, Bachelet afirmou, em tom irônico: “Sei que não serei secretária-geral”. O comentário provocou mal-estar no governo brasileiro. O Itamaraty mantém a orientação de não retirar o apoio e aguarda que a própria candidata decida quando deixará a disputa.
Não há limite para o número de candidaturas nem prazo final para a escolha. Por isso, o México poderá apresentar Alicia Bárcena, atual ministra de Meio Ambiente e ex-chanceler, depois de uma eventual saída de Bachelet. Um novo nome que obtenha consenso entre os membros permanentes ainda pode aparecer.
Nomes na disputa
Há oito candidatos até o momento. Além de Grynspan, Rodrigues Birkett, Bachelet e Grossi, concorrem Ivonne A-Baki, María Fernanda Espinosa Garcés, Olara Otunnu e Macky Sall.
Grynspan é ex-vice-presidente da Costa Rica e chefia a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento. Rodrigues Birkett é a representante permanente da Guiana na ONU e ex-chanceler do país.
Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, também perdeu apoio. Na pesquisa mais recente, teve oito desencorajamentos e cinco apoios. Ele é alvo de forte rejeição da Rússia, depois de declarar que a ONU havia perdido relevância.
Em agosto, a porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, criticou a declaração: “Ficamos surpresos ao ler as declarações feitas outro dia pelo diretor-geral da AIEA”.
Uma nova pesquisa é esperada depois da Assembleia Geral da ONU, que na semana que vem reunirá chefes de Estado em Nova York. O atual secretário-geral, António Guterres, deve deixar o cargo em 31 de dezembro, após dez anos à frente da organização. A ONU teve nove secretários-gerais, todos homens, e há esforço para que a próxima escolhida seja uma mulher.

