RIO DE JANEIRO — Rebeca Ramagem (PL), mulher do ex-deputado Alexandre Ramagem, coordena à distância a campanha por uma vaga na Câmara dos Deputados. Nas ruas do Rio de Janeiro, equipes usam totens de papelão com imagens do casal. Alexandre é considerado foragido da Justiça desde uma ordem de prisão expedida pelo ministro Alexandre de Moraes.
O casal se mudou para os Estados Unidos depois que Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão no processo sobre a trama golpista. Rebeca não informou onde os dois estão atualmente. Ela afirma fazer reuniões virtuais com eleitores e diz que sua campanha é conduzida por antigos assessores do marido na Câmara.
“Do exílio a que a perseguição empurrou a minha família, a oito horas de voo do Rio”, afirmou Rebeca, em mensagem enviada por meio de sua equipe. Segundo ela, sua imagem e suas propostas chegam a locais onde não consegue estar presencialmente. Os totens também foram divulgados por outros candidatos do PL-RJ.
No lançamento da candidatura do deputado Douglas Ruas ao governo do Rio de Janeiro, no Maracanãzinho, as representações de papelão do casal apareceram ao lado de Fernanda Bolsonaro, mulher do senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência. Um adesivaço previsto para a Tijuca, porém, foi cancelado por causa do mau tempo.
A campanha recebeu R$ 1,5 milhão do PL, valor superior ao destinado a Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio Bolsonaro, e a deputados federais da legenda que buscam a reeleição. Rebeca usa camisas com a foto do casal e a frase “Faça Justiça”.
A presença frequente de Alexandre nas redes sociais da candidata levou a Procuradoria Regional Eleitoral a questionar seu registro por suposto vínculo com organização criminosa. O relator no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), desembargador Paulo Cesar Salomão, criticou a participação do ex-deputado e afirmou que o vínculo com o condenado decorreria das escolhas da própria candidata.
Rebeca classificou a declaração como uma “acusação grosseira”. O registro foi deferido por 5 a 2. Ela disse que é procuradora de Roraima, está afastada desde o fim do ano passado e não responde a processos. Também afirmou que teve contas bloqueadas e foi alvo de busca e apreensão ao viajar aos Estados Unidos para encontrar o marido.
A candidata declarou que a família tem usado as economias acumuladas com trabalho lícito. Ela acumulou férias e licença-prêmio, mas ainda tem 45 dias de licença médica não confirmada pelo órgão estadual. Rebeca afirmou que há uma discussão judicial sobre perícia presencial, em grau de recurso.
Em publicações recentes, ela passou a abordar a crise do STF e suspeitas sobre a relação de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Rebeca sustenta que sua situação jurídica permanece regular e que pode ser eleita, diplomada e empossada.


