A Organização das Nações Unidas é mais aprovada do que reprovada pela população na mediana global, apesar da percepção de que enfrenta uma crise de eficiência e legitimidade. Pesquisa Gallup divulgada durante a Assembleia Geral indica aprovação de 50% e desaprovação de 26% nos 137 países consultados.
O levantamento ouviu adultos de março a dezembro do ano passado, com cerca de mil entrevistados em cada país. Outros 15% disseram não saber avaliar a ONU, enquanto 2% afirmaram que a resposta dependia de outros fatores. A margem de erro amostral variou de 2,2 a 5,5 pontos percentuais.
O Sudeste Asiático registrou a maior aprovação regional, com 69%, ante 18% de desaprovação. Na África Subsaariana, os índices foram de 61% e 18%, respectivamente. A Europa fora da União Europeia teve 57% de aprovação e 30% de desaprovação.
Na América Latina, os resultados ficaram mais próximos: 38% aprovam a ONU e 34% desaprovam. A única região em que a reprovação superou a aprovação foi o Oriente Médio e Norte da África, com 46% de desaprovação e 23% de aprovação.
Diferenças entre países e faixas etárias
Albert Trithart, chefe de publicações do Instituto Internacional da Paz, afirmou que os dados acompanham outros levantamentos. Pesquisa do Pew Research Center com 37 países apontou mediana de 55% de aprovação e 37% de desaprovação.
Para Trithart, parte dos entrevistados pode não ter uma compreensão precisa sobre o que a ONU representa. “É importante lembrar que a maioria das pessoas não sabe muito sobre a ONU”, disse. Ele também citou uma possível relação entre a confiança nas instituições nacionais e a avaliação da organização internacional.
A pesquisa encontrou diferenças expressivas entre países. Em Israel, a aprovação líquida — resultado da aprovação menos a desaprovação — foi de 61% negativo. Nos territórios palestinos, ficou em 45% negativo. Na Rússia, a desaprovação líquida chegou a 58%.
No Brasil, a aprovação líquida foi negativa em 4%, próxima do resultado regional, que teve aprovação líquida positiva de 4%. A pesquisa não divulgou os dados detalhados por país.
A faixa de 15 a 29 anos foi a que mais aprovou a ONU em todas as regiões. No Oriente Médio e Norte da África, porém, os mais jovens apresentaram reprovação líquida de 20%, contra 36% entre pessoas com mais de 50 anos.
Segundo Trithart, pesquisas não confirmam a ideia de que a ONU enfrenta uma crise de legitimidade especialmente entre os mais jovens. “As pesquisas mostram que as pessoas querem, majoritariamente, a ONU fazendo mais, tendo mais autoridade e sendo mais ativa, não menos”, afirmou.
A Gallup não dispõe de outros levantamentos recentes semelhantes, e não há séries históricas longas e completas que permitam medir com alto grau de confiança a evolução da opinião pública global sobre a organização. A ONU reúne dezenas de agências, operações e organizações, o que também dificulta conclusões gerais sobre sua atuação e a percepção a respeito dela.


