NOVA YORK — Acusações contra líderes estrangeiros, gestos provocativos e protestos de delegações fazem parte da história do Debate Geral da Assembleia Geral das Nações Unidas. A sessão deste ano começa nesta terça-feira (22), em meio a guerras, crises humanitárias, mudanças climáticas e tensões entre grandes potências.
O encontro reúne representantes dos 193 países membros da organização. O tema escolhido para 2026 é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.
Discursos que provocaram reação
Em 2010, Mahmud Ahmadinejad, então presidente do Irã, afirmou que o Pentágono estaria por trás dos ataques de 11 de Setembro, reivindicados pelo grupo terrorista Al-Qaeda. Delegações do Reino Unido, da União Europeia e dos Estados Unidos deixaram a sessão. Os Estados Unidos classificaram as declarações como “detestáveis e delirantes”.
Outro discurso que gerou repercussão foi o de Hugo Chávez em 2006. Um dia depois da fala de George W. Bush, o então presidente da Venezuela acusou o norte-americano de ter apoiado a tentativa frustrada de golpe de Estado no país, em 2002. “Ontem, o diabo esteve aqui”, disse Chávez. Em seguida, fez o sinal da cruz e afirmou que o local cheirava a enxofre.
Em 2017, Donald Trump ameaçou destruir totalmente a Coreia do Norte caso os Estados Unidos fossem obrigados a defender a si mesmos ou a seus aliados. Na ocasião, também se referiu a Kim como “homem-foguete”.
Gestos e marcas históricas
Em 1960, Nikita Khrushchev bateu na mesa durante uma sessão depois de o representante das Filipinas criticar a política soviética. Relatos da época dizem que ele teria usado um sapato, mas não existe registro em vídeo, e a própria ONU trata o episódio como uma história cercada de dúvidas. Anos depois, o ex-líder soviético assumiu o gesto em um livro de memórias.
No mesmo ano, Fidel Castro prometeu que seu discurso não seria longo, mas falou por mais de quatro horas e meia. A fala se tornou a mais extensa da história da Assembleia Geral. Atualmente, os pronunciamentos mais longos costumam durar até uma hora e meia, enquanto a orientação é de 15 minutos para os chefes de Estado.
Em outro episódio, Kadhafi passou 100 minutos atacando o Conselho de Segurança da ONU e jogou no chão uma cópia da Carta das Nações Unidas. Já Netanyahu apresentou um cartaz com um gráfico no formato de uma bomba ao defender que o Irã estava próximo de desenvolver uma arma nuclear. Treze anos depois, os dois países entraram em guerra pelo mesmo motivo.


