A petição apresentada à Suprema Corte da Índia solicita uma auditoria das exclusões de eleitores e a suspensão temporária da revisão dos cadastros em todo o país. O documento também pede garantias para impedir a retirada de nomes sem aviso prévio e sem direito a uma audiência. A corte deve analisar o pedido nesta terça-feira.
Entre os signatários está Rahul Gandhi, líder oposicionista. O movimento ocorre após uma revisão iniciada no ano passado, que levou à retirada de mais de 130 milhões de nomes das listas eleitorais. Desse total, 28 milhões eram pessoas mortas, 63 milhões haviam mudado de endereço e 30 milhões não puderam ser localizados.
A manifestação desta segunda-feira (12) percorreu cerca de 7 km pela região central de Nova Déli até a Suprema Corte. Os participantes levaram bandeiras partidárias e exigiram a renúncia de Gyanesh Kumar, presidente da Comissão Eleitoral. Siglas de oposição e apoiadores do Partido das Baratas têm realizado atos quase diariamente neste mês.
O protesto ocorreu sob forte esquema de segurança e sem registros de violência. Nos dias anteriores, uma operação policial havia frustrado a tentativa do movimento Partido Popular das Baratas (CJP, na sigla em inglês) de reunir multidões maiores. Milhares de manifestantes, incluindo líderes do grupo, foram detidos, e houve restrições à circulação no centro de Nova Déli. Segundo a imprensa local, cerca de 20 mil pessoas foram detidas entre sábado (10) e domingo (11).
As autoridades fecharam seis estações de metrô por 11 horas e restringiram o trânsito em diversos trechos. A polícia também anunciou que Jantar Mantar, no distrito comercial central, deixaria de ser considerado local oficial de protestos. Três novos pontos foram designados para essa finalidade.
A Comissão Eleitoral nega favorecer qualquer partido e afirma que eleitores excluídos por engano podem se reinscrever. O Partido Bharatiya Janata (BJP), de Narendra Modi, acusou a oposição de tentar enfraquecer a democracia ao questionar processos eleitorais legítimos. O partido também afirmou que os protestos seriam uma tentativa do Congresso de tomar o poder.
Os partidos oposicionistas alegam que muçulmanos e outras minorias são afetados de forma desproporcional pelas exclusões. A Comissão Eleitoral e o BJP rejeitam a acusação. As manifestações começaram depois que preocupações internas sobre as revisões, os procedimentos de registro e os sistemas digitais foram noticiadas no mês passado.
O CJP também havia organizado, no início deste ano, um protesto sentado durante várias semanas em Jantar Mantar. O grupo exigia a renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, por causa de um escândalo de vazamentos de provas. Separadamente, seus líderes pediram à polícia uma data para um novo ato pacífico e ameaçaram convocá-lo caso não houvesse definição em até 24 horas.


