O furacão Polo alcançou a categoria 5 e deve seguir para noroeste nas próximas horas, em uma trajetória paralela à costa mexicana do Pacífico. O Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC) informou que os ventos chegaram a 270 km/h na noite de terça-feira (22/09).
A rota prevista evita, por enquanto, um impacto direto sobre as populações costeiras. Ainda assim, há previsão de chuvas fortes, inundações e deslizamentos de terra nos Estados de Guerrero, Michoacán, Colima e Jalisco. As autoridades educacionais suspenderam as aulas em municípios do litoral de Guerrero e Michoacán nesta terça e quarta-feira.
Risco de aproximação da costa
O Serviço Meteorológico Nacional do México (SMN) prevê ondas de 3 a 4 metros nas costas de Michoacán e Guerrero. O NHC afirmou que a distância do furacão em relação ao litoral ainda é incerta e que podem ocorrer impactos de vento, chuva e ressaca quando o sistema atingir sua intensidade máxima.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, pediu atenção à população do litoral do Pacífico. Segundo ela, há chuvas intensas, mas não parece haver previsão de que o furacão atinja diretamente a terra.
A mudança de tempestade tropical para a categoria 5 ocorreu em cerca de 36 horas. Com essa velocidade de fortalecimento, o Polo passou a integrar o grupo dos três fenômenos que chegaram mais rapidamente ao nível máximo da escala Saffir-Simpson. O grupo inclui os furacões Otis (2023) e Patricia (2015).
Relação com o El Niño
A intensificação ocorre durante um episódio de El Niño que climatologistas apontam como um dos mais fortes já registrados. Em 19 de setembro, a temperatura diária da superfície do mar em uma área-chave do Pacífico centro-oriental estava 3,05°C acima da média. O índice superou o recorde anterior, de 3,02°C, registrado durante o El Niño de 2015.
Outros indicadores do chamado “Super El Niño” ainda não chegaram a níveis recordes. A expectativa é que o fenômeno atinja seu pico apenas no fim deste ano. O El Niño pode alterar padrões climáticos em várias partes do mundo, com maior probabilidade de tempestades e inundações em algumas áreas e de secas e incêndios florestais em outras.
Atividade no Pacífico
A presença do fenômeno costuma reduzir a atividade de furacões no Atlântico, por causa de mudanças nos ventos das camadas mais altas da atmosfera. Até agora, em 2026, não houve furacões nesse oceano. O período sem o primeiro furacão foi o mais longo desde o início do monitoramento por satélite.
No Pacífico, a formação de tempestades e furacões tende a aumentar. O Havaí foi o território mais afetado pelas tempestades neste ano, junto com algumas regiões do Sudeste Asiático. Também há previsão de maior risco de inundações nas áreas costeiras do Equador, do Peru e do sul dos Estados Unidos, além de ameaça ampliada de secas e incêndios florestais no Brasil, na Austrália e na Indonésia.


