A prisão do ex-chefe do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha (BND) Hanning ocorreu após investigadores encontrarem, durante uma busca em sua casa, um dispositivo eletrônico com documentos ultrassecretos do órgão. Os arquivos seriam relativamente recentes e datariam de junho de 2022.
A Procuradoria-Geral da Alemanha também comunicou a prisão de Manfred D., antigo chefe de gabinete de Hanning. Ele é acusado de cumplicidade e teria fornecido informações altamente sigilosas ao ex-dirigente durante vários anos, mediante pagamento.
Documentos e investigação
Os arquivos haviam sido localizados inicialmente pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais da Baixa Saxônia em uma apuração ligada a outro caso. Depois, foram entregues às autoridades federais. Em maio, a Procuradoria-Geral abriu uma investigação sigilosa contra Hanning e um suposto informante.
A acusação afirma que Manfred D., que trabalhou no BND até o primeiro semestre de 2026, teria repassado documentos confidenciais a Hanning pelo menos até 2022. O conjunto reuniria cerca de 2 mil documentos, incluindo relatórios preparados para reuniões na Chancelaria Federal entre os principais dirigentes das agências de inteligência alemãs.
Os materiais conteriam informações sensíveis sobre o programa nuclear iraniano e as Forças Armadas russas, além de dados recebidos de serviços de inteligência de países aliados. Hanning teria usado parte desse conteúdo para preparar, ao menos uma vez, uma análise de segurança destinada a um serviço estrangeiro. Em outro episódio, teria empregado informações internas do BND ao se comunicar com um agente estrangeiro.
A Procuradoria-Geral não informou qual serviço de inteligência ou país estaria envolvido. As acusações não estão relacionadas à Rússia.
Trajetória
Hanning deixou o serviço de inteligência em novembro de 2005. Em 1998, havia assumido a direção do BND e, no fim de 2005, tornou-se secretário de Estado no Ministério Federal do Interior.
Se as acusações forem confirmadas, o caso será a primeira suspeita comparável de traição na Alemanha envolvendo um ex-funcionário de escalão tão alto nos serviços secretos. O BND também enfrenta outro processo: um ex-chefe de departamento é julgado no Tribunal Superior de Berlim sob acusação de espionagem para a Rússia em 2022, junto com outro suspeito.


